Leandro Donatti
De Curitiba
O presidente estadual do PFL, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, disse ontem estranhar a postura de independência política assumida durante a semana pelo presidente regional do PSDB, senador Alvaro Dias, em relação ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ‘‘A declaração de independência coincide com a publicação de pesquisas de opinião indicando o mais baixo índice de popularidade do presidente da república’’, declarou o dirigente, na clara intenção de atacar a postura tucana.
João Elísio disse ainda achar normal o tratamento preferencial que vem sendo dispensado pelo governo federal com o PFL. O presidente não chamou o PSDB do Paraná para discutir a reforma ministerial e entregou o único ministério da cota paranaense a Rafael Greca, do PFL.
‘‘É natural que o presidente tenha preferência pelo PFL do Paraná, porque nós sempre o tratamos com lealdade, admiração e amizade tanto nos momentos bons como nos ruins’’, assinalou o presidente estadual do PFL.
O comando do PFL sinaliza ainda que continua apoiando o governo Fernando Henrique. ‘‘E isso não significa abrir mão da crítica construtiva’’, ressalvou João Elísio. As declarações do presidente do PFL regional confirmam a tese de que os pefelistas do Paraná tentam se beneficiar com o rompimento anunciado por Alvaro Dias. PFL e PSDB disputam desde 94 as atenções do presidente Fernando Henrique. Em 94, o relacionamento de Fernando Henrique era mais familiar com Alvaro Dias.
Na campanha de 98, na briga pela reeleição, a situação política se inverteu, pendendo dessa vez a favor de Lerner. Alvaro Dias rebate as acusações de oportunismo feitas pelo PFL dizendo que a decisão não tem nada a ver com as pesquisas indicando a queda da popularidade do presidente.
O senador tem dito que a postura de independência já existia há algum tempo e que agora apenas foi oficializada pela cúpula estadual. ‘‘Decidimos tornar transparente uma posição que já vínhamos adotando.’’
Ontem, logo após o café da manhã promovido pela Associação Comercial de Paraná (ACP), em Curitiba, para empresários, Alvaro voltou a dizer que o grupo político de Lerner sempre esteve mais próximo do governo Fernando Henrique que o PSDB, nos últimos tempos. ‘‘A nossa decisão não coloca o Lerner nos braços do presidente. O governador já está nos braços dele’’, declarou, numa referência ao tratamento dispensado aos tucanos na escolha dos ministros do segundo mandato e na recente reforma ministerial.
Alvaro descartou ontem qualquer possibilidade de troca partidária, por conta da nova postura em vigor. Um desligamento nesse momento fortaleceria ainda mais o PFL que disputa com o PSDB o status de maior partido no Paraná.
‘‘O partido é para toda uma existência e o governo tem um mandato restrito. Eu pretendo exercer atividades por muitos anos ainda no PSDB, na social democracia’’, observou o senador. Alvaro já havia reagido contra a base aliada do governador Jaime Lerner na metade da semana. Os deputados ‘‘lerneristas’’ usaram a tribuna para criticar a decisão tucana.

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