Eles também são adeptos do bom e velho bandejão
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sábado, 31 de maio de 2003
Demétrio Weber<br> Agência Estado 
Brasília - Sem pompa nem luxo, o primeiro escalão do governo Lula almoça nos bandejões e gabinetes dos ministérios em Brasília. Preço baixo, pressa e agenda cheia estão entre as justificativas para essa rotina sem banquetes nem restaurantes sofisticados - privilégios que costumam povoar o imaginário popular quando o assunto é a capital federal.
Os ministros Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) e Olívio Dutra (Cidades) são frequentadores assíduos do self-service do Bloco A, na Esplanada dos Ministérios. Lá, em meio aos servidores, pegam a bandeja, vão para a fila, percorrem o bufê, pesam o prato e pagam do próprio bolso.
Na terça-feira, Olívio tirou da carteira módicos R$ 3,86 e ainda se queixou do recente aumento do quilo para R$ 9,90. ''Tem de pôr menos quantidade para pagar o mesmo'', disse, fazendo jus à fama de pão-duro. Do outro lado do salão de mesas coletivas e cadeiras de plástico, Rossetto devorou em poucos minutos o prato de R$ 4,80. ''É barato, bom e funcional'', elogiou.
Agnelo Queiroz (Esporte) e José Graziano (Segurança Alimentar) já foram ao bandejão, mas costumam almoçar no gabinete, aproveitando o almoço para reuniões de trabalho. Quem sobe ao nono andar e busca a comida é um garçom.
No outro prédio, Jaques Wagner (Trabalho) também tem agenda cheia, mas gosta de caminhar até o restaurante para espairecer. Quando não dá tempo, recebe o prato no gabinete, como Ciro Gomes (Integração Nacional). O de Ciro vem da cantina na garagem, que já ganhou o apelido de ''Le Garagê''.
Gilberto Gil, da Cultura, é macrobiótico de carteirinha e manda buscar comida na rua. Há poucos meses em Brasília, já conhece os melhores endereços. Benedita da Silva (Assistência Social) é outra que dribla os bandejões: os pratos à base de legumes e peixe vêm de casa. ''A quentinha vai aonde eu estiver'', conta.
Na Fazenda, Antônio Palocci não manteve apenas a política econômica de Pedro Malan, mas o esquema de alimentação também: numa cozinha exclusiva são preparadas as refeições do ministro e colaboradores diretos. Todos pagam R$ 10 por almoço. Sistema semelhante funciona na Educação, quando o ministro Cristovam Buarque não almoça em casa.


