O secretário de Gestão Pública e presidente da comissão de negociação, Jacks Dias, responsabilizou a direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) pela decisão da assembléia dos trabalhadores, que rejeitou ontem o acordo firmado entre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja.
''Lamentamos muito que acordo que celebramos intermediado pela Câmara de Vereadores não tenha sido honrado pelo sindicato dos servidores. Lamentamos a decisão da assembléia e estranhamos muito que não houve a defesa do acordo assinado pelo sindicato na assembléia uma vez que o próprio presidente do sindicato assinou. Eles não defenderam o acordo'', afirmou.
Segundo Dias, a expectativa da administração é que os servidores voltem ao trabalho hoje. ''Ficou bem evidente na assembléia que o movimento paredista tende a diminuir, uma vez que a assembléia ficou bem dividida'', avaliou. O secretário reafirmou que as negociações estão suspensas até a normalização dos serviços. ''O acordo que nós tinhamos feito perdeu a validade.''
Através de uma nota distribuída pelo Núcleo de Comunicação da Prefeitura, Nedson afirmou que o ''grande número de servidores dispostos a retornar ao trabalho mostra que a direção do Sindserv precisa refletir sobre a greve''. ''É inaceitável que os sindicalistas continuem a impedir o acesso de quem quer trabalhar aos locais de serviço'', ressaltou. ''A continuidade da greve só prejudica a população que necessita do atendimento da Prefeitura, especialmente na saúde, educação e assistência social.''
Ontem o prefeito e o controlador-geral do município, Sinival Pitaguari, estiveram em Curitiba para solicitar aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a ampliação do prazo de entrega dos relatórios contábeis da Prefeitura, referentes ao último quadrimestre de 2004. Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a prestação de contas deve ser entregue até o dia 31 de março, mas a administração alega que a greve dos servidores, que completa hoje 23 dias, está impossibilitando o encaminhamento dos documentos.
O vereador Tercílio Turini (PSDB), que participou da intermediação entre servidores e administração, disse que se surpreendeu com a decisão da assembléia. ''A gente saiu muito otimista, quinta-feira, depois de assinar o documento. Estávamos com esperança mesmo que mesmo sem um ganho salarial imediato mas abria-se uma possibilidade de negociação importante. A análise que eu faço é que o impasse continua e que quanto mais tempo durar, além de todo aquele desconforto, as dificuldades aumentam'', afirmou.
Na avaliação de Turini, os vereadores devem continuar a intermediar as negociações. ''Acho que tem vereador que imagina que a Câmara teve um papel importante e que chegou ao seu limite mas defendo que continuemos trabalhando nesta linha, desde que haja consenso entre os vereadores.'' (C.O.)

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