Eles foram pior que Judas, lamenta vereador
''Pode gravar aí: prefiro que Deus tire minha vida a eu decepcioná-lo, ou decepcionar qualquer pessoa. Jamais faria isso, garanto''. Foi essa ontem a reação do vereador Paulo Arildo (PSDB) ao ser informado, pela reportagem, sobre o teor do depoimento ao Ministério Público (MP) de seus dois ex-assessores. Antes de falar à Promotoria, um deles, Edson Baratto, chegou a confirmar à FOLHA ter conversado anteontem e ontem com o parlamentar sobre a intimação - entretanto, Arildo não cogitaria que o depoimento fosse a respeito de suposta divisão de salários, e sim, de frequência ao trabalho. Isso porque, há mais de duas semanas, o MP vem investigando a possibilidade de assessores-fantasmas no Legislativo - desde então, informações estariam chegando aos promotores quase que sistematicamente.
Ligado a movimentos da Igreja como a Renovação Carismática Católica (RCC) e atualmente no segundo mandato, Arildo citou personagens bíblicos para se defender das declarações dos dois ex-assessores. ''(O Livro do profeta) Jeremias diz que é maldito o homem que confia em outro homem. Hoje, esses dois estão sendo comigo pior do que Judas (que, também conforme a Bíblia, traiu Jesus e o entregou à crucificação); cuspiram no prato em que comeram a vida inteira'', declarou.
Fora do universo das metáforas, o vereador alegou ter sido vítima de suposta armação dos dois ex-assessores, já que um deles, garantiu, apoiará candidato na eleição de outubro. ''Eles planejaram isso para destruir meu nome e dar destaque ao nome de outro, o que é lastimável. Mas falo por mim e por minha esposa: nem eu nem ela recebemos dinheiro deles nem de nenhum outro assessor, por maior que fosse o salário do assessor'', disse.
O vereador assegurou que disponibilizará o sigilo bancário, uma vez solicitado pelo MP. ''Se havia racha de salário, era entre assessores. Podem abrir minhas contas sem problema.'' (J.G.)





