Curitiba - A secretária de Estado do Planejamento, Eleonora Fruet, oficializou ontem seu pedido de exoneração ao governador Roberto Requião (PMDB). O afastamento de Eleonora já era esperado desde o último dia 15, quando o PMDB de Curitiba decidiu coligar-se com o PT nas eleições municipais e rejeitou a candidatura a prefeito do irmão de Eleonora, o deputado federal Gustavo Fruet. Alegando incompatibilidade de posições políticas com os demais membros do diretório municipal, Eleonora pediu sua exoneração ao governador, que foi um dos votos contrários à candidatura de Fruet.
Segundo Eleonora, Requião aceitou o pedido de exoneração de maneira tranquila. ''Decidi sair da secretaria para evitar quaisquer constrangimentos ao governador. Ele não me pediu para permanecer na pasta, até porque não é o estilo dele. Tenho um relacionamento político com o governador que já vem de 20 anos, e achei que era o momento de encerrar um ciclo. O resultado da convenção apenas acelerou esse processo'', disse.
Eleonora frisou que apesar de terem batido de frente em relação à candidatura própria do PMDB na capital, a secretária e o governador não tinham divergências em questões do Poder Executivo. ''Fiz questão de expressar meu total agradecimento por ter tido a oportunidade de conduzir o planejamento do Estado durante os últimos 18 meses. O governador sempre me deu total liberdade para compor a melhor equipe possível, e pude contar com a ajuda de um excelente corpo de servidores da secretaria e do Ipardes'', comentou. Ontem, Requião não quis comentar o afastamento da secretária estadual.
Eleonora não decidiu ainda se permanecerá filiada ao PMDB. ''Eu praticamente nasci dentro do MDB (seu pai, o ex-prefeito de Curitiba Maurício Fruet, era filiado à sigla). Assim que pude, me filiei ao PMDB e tenho uma história no partido. Sair ou não é uma decisão que pretendo tomar mais para frente. No momento, penso apenas em retomar minha empresa de consultoria econômica (a Macrodinâmica) e voltar a atuar no setor privado'', declarou.
A ex-secretária fez questão de destacar que seu afastamento foi uma decisão pessoal. ''Não foi o Gustavo que pediu ao governador para me nomear, e ele também não pediu para que eu me afastasse em virtude da convenção. Cada irmão tem sua carreira independente, e cada um age de acordo com sua consciência'', ressaltou. Ontem especulava-se que o advogado em Brasília, Claudio Fruet, irmão de Eleonora e Gustavo, poderia abandonar também os processos em que representava o governador do Estado. A Folha tentou contato com Claudio, mas não obteve retorno.

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