Eleitos priorizaram a publicidade
Com cifras declaradas à Justiça que variam de R$ 1,73 a R$ 9,01 por voto recebido, os vereadores da próxima legislatura em Londrina garantem: a trajetória de vida conta, mas é difícil se eleger sem gastar com publicidade.
Com o menor valor declarado, o vereador Paulo Arildo (PSDB), reeleito com 5.138 votos, disse que não teve outdoor, um dos recursos de campanha mais caros. ''Ganhei os santinhos do partido e gastei o resto com cartazes, adesivos para carros e faixas no comitê'' , elencou. Mão-de-obra paga? Ele assegura que não foi preciso. ''Sou pregador da renovação carismática, de onde recebi muito apoio, assim como dos vicentinos. Meus votos se multiplicaram'', comentou, ressalvando que material publicitário só vale ''com um trabalho de base que o alicerce''.
O vereador mais votado, com 6.342 votos, o também tucano Tercílio Turini disse que os cerca de R$ 23 mil declarados (R$ 3,62 por votante) da mesma forma pagaram material impresso, além de combustível para os carros usados na campanha que o reelegeu para o quarto mandato. Nem um pouco contrário à filosofia de que alguns candidatos tentam compensar a falta de serviço com o excesso de publicidade, o presidente local do PSDB acredita que esse tipo de compensação não vale, por melhor e mais numeroso que seja o material de divulgação. ''A pessoa tem que fazer algum tipo de trabalho para a comunidade ao longo dos anos, até ficar conhecido. Não adianta tentar aparecer só na época da eleição'', aconselhou.
Eleito com a maior parcela do eleitorado 6.578 votos , o sobrinho do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), Marcelo Belinati, da mesma sigla, ficou com o segundo menor gasto proporcional declarado à Justiça com seus R$ 13.378,75, cerca de R$ 2,03 por votante. Empatado com Turini, o vereador Sidney de Souza (PTB) assegurou gastos de R$ 22 mil, bancados, de acordo com ele, de seu bolso de seu escritório de contabilidade. ''Tive poucos cabos eleitorais, gastei mais com anúncios e material impresso. Com a eleição sendo por número, a publicidade é mais que necessária'', opinou.
Gastos superiores foram registrados por outro reeleito, o vereador Henrique Barros (PMDB). Segundo ele, foram dispendidos aproximadamente R$ 40 mil dos R$ 50 mil estimados, ou R$ 8,24 para cada um dos 5.095 votos recebidos. ''Foi uma campanha pé no chão. Considero o valor normal, pois as empresas que confeccionam outdoor inflacionaram os preços desta vez'', justificou.
Vereadora eleita com menos votos 2.219 , a ex-secretária municipal do idoso, Maria Ângela Santini (PT), calculou uma receita de campanha de pouco mais de R$ 20 mil. Por outro lado, o divisor menor que os dos cinco primeiros a colocou com o maior quociente de gastos per capita: R$ 9,01. ''Não dá para mensurar a campanha pelo número de eleitores que a gente vai ter, os gastos têm que ser calculados independente disso'', comentou. (J.G.)





