Com o fim das eleições, vários candidatos conseguiram fortalecer suas posições em relação à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002. Entre os aliados do presidente, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), certamente foi o político que mais aumentou seu cacife em relação a essa possibilidade ao garantir sua reeleição por mais quatro anos. Covas aumentou seu prestígio depois de vencer uma eleição que parecia perdida ainda no primeiro turno. Segundo as pesquisas de intenção de voto, Covas esteve num modesto quarto lugar durante boa parte da campanha. Acabou conseguindo chegar ao segundo turno com uma pequena vantagem sobre a petista Marta Suplicy e atrás de Paulo Maluf, do PPB. Em apenas vinte dias de campanha, virou este quadro e ganhou a eleição, credenciando-se como um dos possíveis sucessores de Fernando Henrique. As urnas foram generosas para candidatos de tendência centro-esquerda.
Além de Covas, outros dois políticos também podem sonhar com sua candidatura presidencial. Itamar Franco (PMDB), em Minas Gerais, e Olívio Dutra (PT), no Rio Grande do Sul, também conseguiram vitórias extremamente expressivas em seus estados. Como Covas, ambos poderiam se encaixar no perfil centro-esquerda ou esquerda. A diferença é que tanto Itamar como Dutra farão em 2002, certamente, campanha de oposição aos aliados de Fernando Henrique.
Com a vitória em Minas, Itamar pode sonhar com sua volta ao Palácio do Planalto. Este ano, ele pretendia ser candidato, mas o PMDB acabou decidindo não ter candidato próprio à Presidência, o que o empurrou para a sucessão mineira. Como é contra o princípio da reeleição, Itamar não deve tentar um novo mandato de quatro anos em Minas. Na disputa pela Presidência, pode formar uma aliança com Ciro Gomes (PPS), que terminou em terceiro lugar na disputa pela sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Ciro foi ministro da Fazenda durante o governo Itamar.
Olívio Dutra derrotou o governador Antônio Britto (PMDB) por pequena diferença de votos - 87.366. Com esse resultado, o forte PT gaúcho passa a ter o controle do Rio Grande do Sul e também da capital Porto Alegre, que administra há 10 anos. Os petistas do Sul passam a ter mais prestígio na mesa de negociações da oposição. Como Luiz Inácio Lula da Silva, depois de três derrotas seguidas, não deve mais se candidatar e o governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, não conseguiu sua reeleição Dutra passa a ser um dos possíveis candidatos do PT à Presidência.
Do lado governista, Tasso Jereissati (PSDB), que foi reeleito no Ceará, é outro nome que não pode ser desconsiderado numa sucessão. Tasso poderia também ter a vantagem de atrair Ciro Gomes de volta para o lado tucano, já que é seu aliado direto no Ceará. Outros candidatos que foram bem sucedidos nesta eleição saem cacifados até para entrarem na composição de alguma chapa presidencial, como é o caso da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), do governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), e do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos (PMDB).Murilo Clareto/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Bom aliadoCovas: cacife aumentado com a nova vitóriaMarcelo de Moraes
Agência Estado

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