Eleitos arrecadaram R$ 830 mil por uma cadeira na Câmara
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Loriane Comeli e Paula Barbosa Ocanha <br> <br> Reportagem Local 
Os 19 vereadores eleitos para a próxima legislatura da Câmara Municipal de Londrina gastaram juntos R$ 644 mil em suas campanhas, somente em dinheiro. O valor do gasto corresponde a 77,5% de tudo o que foi arrecadado pelos comitês financeiros, que ficou na casa dos R$ 830 mil, incluindo valores estimados, como doações de serviços e de material de campanha pelos comitês e partidos. A campanha mais barata custou R$ 2 mil e a mais cara, R$ 97,5 mil. A média de arrecadação dos candidatos foi de R$ 43,6 mil. Considerando que os 19 vereadores eleitos obtiveram 63.340 votos, o custo de cada voto foi de R$ 13,10.
A campanha mais cara foi a do vereador Mário Takahashi (PV), cuja arrecadação de R$ 97,5 mil corresponde a 11,7% do total de recursos obtidos pelos 19 eleitos. Do total, R$ 44 mil foram doações em dinheiro e o restante em serviços. Do total de gastos, R$ 47 mil foram recursos próprios de Takahashi.
''Fiz a contabilidade mencionando cada gasto, inclusive os valores estimados do uso do meu próprio carro e, por isso, o valor ficou alto'', explicou ele, acrescentando que também contabilizou cerca de R$ 10 mil em material de campanha fornecido pelo comitê da candidata à prefeitura Márcia Lopes (PT), com a qual o PV estava coligado. A campanha de Márcia também doou R$ 40 mil para a vereadora eleita Lenir de Assis (PT) e R$ 8,8 mil para o Professor Fabinho (PPS).
A segunda campanha mais cara foi do ex-vereador Jamil Janene (PP), que conseguiu R$ 92,5 mil. Do total arrecadado, R$ 38,2 mil foram de recursos próprios do candidato. Procurado pela FOLHA para comentar o custo da eleição, Janene disse apenas que prestou contas de sua campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que ''os dados são públicos''.
Os dois vereadores que mais gastaram em suas campanhas, Janene e Takahashi, foram responsáveis por usar quase um quarto - R$ 23,74% - do valor de tudo o que foi arrecadado pelos 19 candidatos.
O vereador eleito que menos arrecadou recursos foi o novato Vilson Bittencourt (PSL), com um valor de R$ 2.067,50, ou 0,24% do total. Vilson, que disputou a Câmara pela terceira vez, usou em sua campanha 2,1% do valor gasto por Takahashi. ''Acredito que gastei pouco em relação aos outros candidatos porque desde a década de 80 faço um trabalho social na associação de bairro e com o conselho de saúde'', analisou. ''Mas não fiz esse trabalho com pretensões eleitorais.''
A prestação de contas entregue pelos candidatos ao TSE também demonstra que os candidatos eleitos investiram bastante em suas campanhas: dos R$ 830 mil, cerca de 262,5 mil foram recursos próprios; comitês e diretórios estaduais do partido repassaram R$ 154,5 mil; e empresas doaram R$ 120,6 mil.
Segundo a resolução número 23.376 do TSE, a eventual sobra dos recursos arrecadados durante a campanha eleitoral deve ser transferida ao partido e o comprovante da transferência deve ser juntado às prestações de contas partidárias.


