Eleitores protestam em São Jerônimo
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sexta-feira, 18 de março de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) vive um clima de tensão e disputa como se estivesse às vésperas de uma nova eleição. Desde o final da tarde de anteontem, partidários e simpatizantes do candidato a prefeito eleito e cassado, Carlos Sutil (PPS), conhecido como ''Carmo'', estão acampados em frente à sede da prefeitura fazendo manifestações e impedindo a entrada de funcionários no local. Eles alegam que querem garantir a posse de Sutil caso ele receba sentença favorável no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Sutil venceu o adversário Adir dos Santos Leite (PP) por uma diferença de 55 votos nas últimas eleições, mas teve o registro de candidatura cassado por crime eleitoral após ser acusado de compra de votos. Leite assumiu em seu lugar. O candidato cassado ingressou com várias liminares no TRE, mas todas foram indeferidas. Anteontem, um novo recurso começou a ser julgado. Segundo o procurador jurídico de São Jerônimo, Paulo Roberto Moreira, três dos sete juízes do TRE já deram voto favorável a Sutil. O juiz Fernando Quadros da Silva pediu vistas do processo e, com isso, a votação foi temporariamente suspensa. O recurso deve voltar a julgamento na segunda-feira.
Defensores dos dois políticos declararam à Folha que o alvoroço em São Jerônimo teria começado porque cada um dos lados teria ''cantado vitória antes do tempo'', em relação à decisão do TRE. O atual vice-prefeito, Alan Proença (PSDB), denunciou que desde o início desta semana Sutil estaria conclamando a população a fazer os preparativos para a comemoração de sua posse. Ele e Moreira disseram suspeitar que Sutil teria feito ''acordos'' com juízes e que, por isso, estaria certo de sua vitória.
''Não temos absoluta certeza disso, mas diante dos rumores decidimos entrar com o pedido de exceção de suspeição contra o relator Auracir Azevedo de Moura, no TRE'', afirmou o procurador. ''Isso é muito grave. Estão denegrindo a imagem da Justiça ao espalhar por aí que houve acerto com juízes'', afirmou o vice-prefeito. A Folha tentou entrar em contato com o juiz Auracir Azevedo em seu escritório, mas ele não retornou as ligações.
Eleitor do atual prefeito, o pedreiro Paulo Sérgio de Lima contou que teve a casa atingida por uma pedra atirada pelos manifestantes durante a madrugada. Ele é vizinho de Sutil e garantiu ter ouvido, nos últimos dias, conversas em que o candidato dizia estar ''com a causa ganha''.
A reportagem não conseguiu localizar Carlos Sutil ou assessores diretos dele na cidade. Partidários relataram que ele estaria em Curitiba acompanhando o julgamento. Falando como representante de Sutil, o comerciante e ex-prefeito de São Jerônimo (1993-1996), Gilberto Pinheiro de Melo (PMDB), declarou que a população resolveu se concentrar em frente à prefeitura porque ''está confiante na atuação da Justiça e espera que o candidato eleito democraticamente tome posse''.
''Vamos permanecer aqui dia e noite e impedir a entrada dos funcionários até que saia a decisão do TRE. Queremos proteger o patrimônio público, que está sendo dilapidado pelo prefeito provisório'', assinalou Melo. A autônoma Luciana Maciel Ferreira, que é filiada ao PPS, afirmou que já recolheu quase 3 mil títulos eleitorais de cidadãos que votaram em Sutil e que os documentos serão ''devolvidos'' ao TRE em protesto, caso o candidato não seja empossado.
Até a tarde de ontem, a Polícia Militar (PM) de São Jerônimo acompanhava as manifestações sem intervenções diretas. A PM informou que não havia registrado nenhum ato violento até então. O vice-prefeito declarou que estava tentando obter reforços policiais em Cornélio Procópio para coibir tumultos e garantir a entrada dos funcionários na prefeitura. (Colaborou Cristiane Oya)


