Eleitores podem comparar administrações
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Neste domingo, 328.340 eleitores londrinenses irão escolher o 17º prefeito da cidade. Em jogo, a administração da terceira maior cidade do Sul do País com um orçamento previsto para 2005 de mais de R$ 528 milhões.
Pela primeira vez na história de Londrina os eleitores poderão comparar dois modelos de administração. Antonio Belinati (PSL) ocupou o cargo por três gestões e Nedson Micheleti (PT) busca mais quatro anos de mandato.
''Eu acho que isso é positivo. O fato de ter um tipo de administração comparado ao outro faz com que o eleitor possa observar se o passado teve alguma vantagem ou se alguma coisa foi mais positiva na atual administração'', analisou o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Mário Sérgio Lepre. ''Resta saber se o eleitor trabalha com esta perspectiva, o que foi feito no passado e o que foi feito na atual administração. Acho que de uma determinada parcela do eleitorado deva haver esta reflexão, mas acredito que a maioria leva em consideração questões conjunturais da campanha'', complementou.
Na visão do professor de sociologia política da Unifil e da PUC de Londrina, Cézar Bueno, as realizações e a imagem dos candidatos devem prevalecer na hora do voto. ''A população não acredita muito nas promessas, vota mais em relação à pessoa do candidato e pelo o que fez. A família Belinati tem mais de 14 anos à frente da política local e regional. Do outro lado, uma política mais recente do PT que já governou Londrina com o (Luiz Eduardo) Cheida. Não tem novidade do ponto de vista político-administrativo. O que está em jogo são dois modelos de administração que a população já conhece'', disse. ''Imagino que o eleitor tenha elementos suficientes para avaliar as duas administrações. Acho que a única diferença seria em relação ao momento anterior e posterior à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Temos também que levar em conta o momento de crise que o país atravessa. Na época do Belinati não estávamos vivendo o processo de reestruturação dos investimentos nas três esferas de governo. O Belinati priorizou investimentos de grande vulto e o Nedson pulverizou os investimentos priorizando a área social'', complementou Bueno.
Bueno prevê um segundo turno bastante acirrado. ''O candidato vencedor não terá uma margem superior a dez pontos percentuais. Há uma polarização enorme e a tendência é que a eleição seja disputada voto a voto. Deixo aqui o chamado para que os eleitores participem da eleição, que levem em consideração a importância de votar. O feriadão pode esvaziar (a eleição). Não sei se o eleitor está tomando o devido valor da importância histórica dessa eleição'', finalizou o professor.


