Curitiba - Lentamente, os eleitores brasileiros começam a rejeitar os políticos que trocam constantemente de partidos. É essa a opinião do analista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira. ''Nos últimos anos, a sociedade civil tem estado mais atenta ao que acontece na política brasileira. Mas existe uma tradição histórica do País, que nunca vinculou a figura do candidato ao partido que ele pertence. Os próprios partidos brasileiros são todos muito parecidos, independente de estarem na situação ou na oposição'', acredita o professor.
Segundo Ricardo Oliveira, uma reforma política seria a maneira mais rápida de acabar com a infidelidade partidária. ''Uma possibilidade é aumentar o prazo em que o candidato fica inelegível a partir de sua mudança de partido. Mas isso vai ter que partir do próprio Congresso. Há uma pressão da sociedade civil para que aconteça essa reforma, mas é muito pequena. Provavelmente, a iniciativa surgirá dos próprios parlamentares. Porém, fica claro que a prioridade do atual governo é reformar o sistema tributário e previdenciário - ainda não se tocou no assunto da reforma política'', ressaltou.
Nem todos os políticos concordam com a opinião de Ricardo Oliveira. Para o deputado Hermas Brandão (PSDB), a população ainda não está fiscalizando as trocas de partido. ''Uma pesquisa levantou que 68% dos eleitores não se lembram em quem votaram para deputado na última eleição. Baseado nesses dados, dá para se imaginar que menos eleitores ainda devem lembrar se o seu deputado mudou de partido ou não'', destacou Brandão.
O deputado Nelson Justus (PFL) partilha da mesma opinião de Brandão. ''É comum encontrarmos eleitores que nos perguntam 'Deputado, em que partido você está agora?' Eu não acredito que os partidos tenham ideologias próprias. Prefiro fazer política com as pessoas: saber quem são, as idéias delas, de que caminhão caíram'', afirmou Justus.

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