Em meio aos ataques mútuos entre os candidatos à Presidência da República e ao governo do Paraná, que marcaram o segundo turno destas eleições, a Folha ouviu eleitores de diferentes categorias profissionais sobre suas expectativas e perspectivas em relação aos novos chefes do Executivo federal e estadual que assumem os mandatos a partir de primeiro de janeiro.
Apesar das prioridades elencadas variarem conforme a área de atuação, em comum estão a indignação com a condução das políticas educacional, agrícola, e o pedido de mais ética aos governantes.
''A expectativa para o próximo presidente da República é que seja um presidente que procure demonstrar um grau de confiabilidade maior no país. Temos visto hoje a população totalmente desiludida com as grandes reformas, com os grandes sonhos que tinha quando elegeu Lula. O quadro que estamos vendo hoje é muito diferente do quadro do segundo turno das eleições passadas'', disse o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato. ''Estávamos nesta época todos confraternizando, abraçando, e olhando o Brasil com uma perspectiva muito boa de futuro, um Brasil mais justo, de menos exclusões, colocando um operário na presidência da República, um homem do povo, que era o grande anseio de um Brasil melhor. Vimos um Brasil mais antiético, mais corrupto, um Brasil mais desconfiado, o Brasil do não sei, não vi. Isso tudo nos dá uma certa apreensão no futuro.''
Independente de quem vença a eleição, Busato salientou a necessidade de uma ''conciliação nacional'' para garantir a governabilidade. ''Nós brasileiros sabemos sair de um estado de desigualdade, de desvantagem, para uma construção. Penso que o governante que vencer as eleições presidenciais deve procurar primeiramente uma grande conciliação nacional, seja lá quem for.''
Durante visita a Londrina, Busato também expôs suas expectativas em relação ao próximo governador do Paraná. ''No Paraná estamos em volta de uma crise com a agricultura. Esperamos que o próximo governador promova uma conciliação, já que o clima no Paraná é de muita animosidade e, principalmente, que procure o progresso do povo paranaense que sempre se diferenciou dos demais estados pelo seu caráter progressista. Temos visitado muitas cidades e vemos que as cidades ao invés de crescer, estão diminuindo.''
Em meio a um indignado desabafo em relação as políticas agrícolas, o produtor rural Paulo Acquarole destacou a importância dos governos, tanto estadual como federal, elaborarem um planejamento para a agricultura. ''Eu lhes peço senhores governantes, que olhem por nossa classe. Não adianta termos juros baratos se a remuneração de nossa produção não cobre sequer nossos custos de produção. Não adianta assentar novas famílias no campo se as que já estão lá há gerações, estão morrendo à míngua. A finalidade não pode ser produzir apenas para a subsistência familiar. É necessário produzir riquezas para o país'', avaliou. ''Vamos planejar com seriedade e a longo prazo. Vamos definir mundialmente onde vamos querer estar dentro de um, cinco, dez, ou vinte anos. Não podemos simplesmente acompanhar o que acontece, vamos fazer acontecer'', complementou.
O planejamento a médio e longo prazo também foi salientado pela diretora-presidente da Incubadora Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel), Cleusa Rocha Azanome. ''O ideal é o investimento maciço na educação, escolas em período integral como fizeram os países que querem uma evolução maior, como a Coréia do Sul. Para que o Brasil não perca o bonde da história só tem um jeito que é o investimento na educação, na ciência e tecnologia, e no fomento de empresas, criando empregos. Os empregos restauram a autoestima do ser humano, a pessoa encontra sentido para a vida, acaba com o banditismo'', analisou.
Cleusa ainda destacou a importância de princípios éticos na política. ''Honestidade, honra, amor pelo Brasil, pela pátria, acabar com a roubalheira, com a corrupção. Acho que o principal é uma questão de ver a sustentabilidade de um projeto que possa gerar emprego e renda'', resumiu. ''Minhas expectativas com relação aos novos governos federal e estadual é que exerçam seus mandatos com transparência, sem mentiras e a serviço do povo, respeitando e trabalhando por ele com energia, com discernimento e competência, com atenção especial ao homem do campo, ao pequeno e microempresário, investindo e enfatizando a educação'', complementou o microempresário Osvaldo Marconato Bosi.
Os investimentos em educação também foram a tônica apontada pela estudante universitária Ettiene Duim Nardini. ''Com olhos não apenas de estudante mas também de cidadã, decepciono-me com os atuais governos e seus projetos e trabalhos frente a educação. Não existiu investimento adequado neste quesito'', avaliou. ''(Governantes) devem ter mais atenção aos 'primeiros passos', investindo menos em programas de 'integração' dos alunos de escolas públicas. São necessários poucos ajustes: melhores salários, professores capacitados e constantemente avaliados e aprimorados com cursos e concursos de 'resseleção', estrutura física e didática decentes'', sugeriu.

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