Definitivamente, a opção por não votar em políticos denunciados ou de alguma forma envolvidos em escândalos norteou as conversas de eleitores com a reportagem da FOLHA, ontem, na longa fila de espera do lado de fora do Fórum Eleitoral de Londrina. Hoje termina o prazo para operações de alistamento, transferência e regularização do título, documento que, só anteontem, por exemplo, teve expedidas 693 unidades. Por volta das 16h30 de ontem, 950 senhas já haviam sido entregues - a previsão para hoje, quando novamente o expediente vai das 9 às 18 horas, é que esse número ultrapasse 1 mil. Em Curitiba, o penúltiumo dia registrou cerca de 3 mil atendimentos na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), no Parolin.
Há 16 anos em Londrina, é a primeira vez que a doméstica Maria de Fátima dos Santos, 39, vai votar na cidade. ''A gente tem que pensar no melhor, tem sempre que acreditar que pessoas novas podem entrar e fazer a diferença - como vou votar em alguém que já fez algo errado?'', questiona. A estudante de 3º ano Juliana Quintanilha, 16 anos, usa palavras diferentes para expressar algo semelhante: ''A gente reclama, mas acaba na mesma. É bom mostrar todo esse escândalo na política da cidade; não é agradável, mas é um jeito de chamar o jovem a tomar a frente para mudar um quadro de ignorância e de manipulação que a gente vê pelas sessões, mesmo''.
Com 18 anos completos, a estudante Priscila Domingues admitiu: enfrenta a fila pela obrigatoriedade. Mas ressalvou: ''Com tanto escândalo, é um jeito que eu tenho de mudar isso, né? Quem erra uma vez, já viu''. O servidor público federal Airton Fernandes, 46, também diz acreditar em mudanças - em tom menos otimista, porém. ''Não votaria e não voto em político denunciado, mas infelizmente ainda há muita compra de voto e muita gente necessitada por aí se vendendo, por isso - o caminho a trilhar é longo'', acredita.
Para regularização do título ou para o alistamento, são necessários documento de identidade com foto e comprovante de residência (ambos, original e fotocópia) e, no caso de homens a partir de 18 anos, também o certificado de alistamento militar. O mesmo é exigido para quem quiser apenas transferir o título: neste caso, porém, o eleitor precisa demonstrar, via comprovante de endereço (no próprio nome, ou no nome dos pais), que está em Londrina há mais de três meses, mas não por mais que um ano.
''Quem já tiver 18 anos e não retirar o título, ou quem estiver em situação irregular e não se acertar com a Justiça Eleitoral, pode sofrer sanções que vão de multa aos impedimentos de participar de concurso público e de retirar passaporte'', lembrou o coordenador do Fórum, Dorivaldo Rodrigues.

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