Eleitores denunciam uso da máquina na campanha
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Comitê Contra a Corrupção Eleitoral, criado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), já constatou que o uso da máquina administrativa é o crime que mais incomoda a população. Diariamente, o comitê vem recebendo uma média de 20 telefonemas no escritório de Curitiba. Depois do uso da máquina, as denúncias mais frequentes são de doação de cestas básicas e promessas de emprego em troca do voto.
O advogado que assessora a CNBB no comitê, Marino Galvão, conta que a intenção ao instalar o comitê era difundir a Lei 9.840, que estabelece o que é crime eleitoral. Segundo o advogado, o objetivo final é conscientizar as pessoas de que o voto tem consequência. Ou seja, quem vota em políticos que praticam corrupção durante a campanha, não pode esperar dele uma atitude digna quando estiver exercendo o poder.
Por enquanto, não foi possível ao comitê reunir documentos que provem os atos de corrupção para formalizar a denúncia do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). ''Muitas pessoas não tem coragem de dar um testemunho. Nos ligam, reclamam, mas não assumem isso em juízo'', explica. Ainda assim, ele considera válida a atuação do comitê, porque a pessoa que liga para reclamar fica conhecendo mais detalhes da lei. Tornando-se um cidadão mais informado, o reclamante tem mais condições de exercer sua cidadania.
A denúncia mais frequente é do uso da máquina administrativa no processo eleitoral. ''Os candidatos estão usando maciçamente os funcionários públicos para fazer panfletagem nas Ruas da Cidadania e nas praças de Curitiba'', conta o advogado. Esse crime estaria acontecendo tanto na esfera municipal como na estadual. E o advogado completa a informação dizendo que os funcionários que não se submetem ao trabalho são ameaçados de perder o emprego.
A doação de cestas básicas ocupa o segundo lugar no ranking das denúncias, seguida pela oferta de empregos, em troca do voto. ''Tem um candidato que está fazendo verdadeiros convescotes (piqueniques) em empresas da cidade'', contou. A estratégia adotada por esse candidato é ligar para as empresas e pedir para servir um chá para os funcionários no final da tarde. Enquanto os funcionários aproveitam a boca livre, a equipe do candidato faz um mini-comício no local de trabalho.
O comitê está na sua terceira semana de funcionamento. Para fazer denúncias, o eleitor que considerar irregular a ação de qualquer candidato pode ligar para o 0800-643-9840.


