‘‘Para ser sincero, ainda não escolhi, não’’. A frase passaria despercebida em uma sondagem de intenção de voto não fosse o dia e a proporção em que foi dita. Ontem, véspera da eleição municipal, essa foi a resposta de nada menos que sete em 10 eleitores londrinenses ouvidos pela Folha quanto à definição do candidato para vereador. O número surpreende, já que Londrina tem 332 postulantes a cada uma das 18 cadeiras do Legislativo, e considerando-se os 20 dias de horário eleitoral gratuito em rádio e TV destinado às candidaturas do gênero.
  Além de ainda se mostrar indecisa, a maioria dos entrevistados observou que a propaganda na mídia eletrônica de pouco adiantou para escolher um nome ou, pelo menos, um leque mínimo de opções. ‘‘Vou decidir mesmo amanhã (hoje), porque, pelo que vi na TV, é muita demagogia e promessa juntas, impossível optar desse jeito’’, afirmou o desenhista projetista Pedro Hatanaka, 35, garantindo outro voto, dessa vez, com mais certeza: ‘‘Para prefeito, não vou votar em ninguém’’.
  Morador de Presidente Galves (interior de São Paulo) e eleitor em Londrina, o agropecuarista José Leotério da Costa, 52, disse ontem que a indecisão tinha um motivo específico. Recém-chegado de viagem, ele sequer sabia quem estava na disputa para a Prefeitura. ‘‘Vou consultar meus filhos e ver qual dos candidatos a vereador é mais conhecido. Mas estou muito desacreditado’’, confessou.
  A empregada doméstica Lourdes Ziroldo, 65, também deixaria o dia de hoje para definir o candidato a vereador, com uma diferença: ela tem um ‘‘método’’ para executar a tarefa. ‘‘Voto pelo partido e, dentro disso, pelo que está no material de campanha de cada concorrente’’, explicou. Os irmãos Eduardo, 18, Vinícius, 21, e André Garcia, 25, também terão trabalho extra hoje. ‘‘Além de votar, a gente vai ter que escolher um nome sem ao menos ter certeza de que isso vai adiantar alguma coisa para a cidade’’, lamentou o mais velho.
  Para a estudante Fernanda Picelli, 19, o jeito vai ser ‘‘dar uma olhada’’ nas propostas do que já recebeu nas ruas, já que, declarou, de pouco adiantaram os programas que acompanhou na TV e no rádio. ‘‘Vou mais pelos nomes que me indicam, porque na TV era muita gente, pouco tempo e muita promessa impossível’’, criticou. Opinião semelhante é a do micro-empresário João Maria Emanuel, 50 anos. Ontem no Calçadão da Área Central, ele comentou que estava lá justamente para ‘‘poder olhar nos olhos do candidato e ver quem está ou não mentido’’. ‘‘Não decidi ainda em quem votar, e só pelo horário eleitoral não deu para definir o caráter do sujeito’’, argumentou.
  Exceções, o estudante Estevan dos Santos Filho, 21, e o casal Ana Elisa Fernandes, 20, e Marcelo Fidelis, 27, já estavam certos do voto. ‘‘Escolhi por um conhecido meu, amigo de um candidato’’, afirmou o estudante. O casal definiu a escolha de forma parecida: ‘‘Por indicação, ainda mais que o candidato em questão estava junto com quem nos apresentou as propostas dele’’.
  Apesar do prazo exíguo para a propaganda de rua, os partidos pouco fizeram ontem nos principais cruzamentos e pontos de Londrina. O volume maior – de propaganda e de candidatos a vereador – foi registrado no Calçadão, onde alguns candidatos marcaram presença. Já na Avenida Saul Elkind (Zona Norte) e nos cruzamentos das avenidas Rio Branco com Leste-Oeste e Juscelino Kubitschek com Higienópolis, pouco ou nehum cabo eleitoral foi encontrado pela reportagem.

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