No rescaldo da eleição, há uma troca de acusações entre os eleitores do Colégio Estadual Hasdrúbal Belegard, no Bairro Sítio Cercado, em Curitiba, e o TRE, pelo atraso na votação de domingo. De um lado, os eleitores acusam o TRE de não ter previsto a necessidade de colocar mais urnas eletrônicas, em função do aumento da população. De outro, a chefe do cartório da zona 145, Adriana Trabulci, disse que os eleitores ‘‘não estavam preparados para votar’’.
Em função da demora na votação na escola, muitos eleitores acabaram desistindo, mas não se sabe o número de abstenções, pois até ontem o TRE ainda não tinha esse levantamento. Os números serão conhecidos somente no final da apuração, informou a assessoria de Imprensa do TRE.
A votação no Sítio Cercado foi concentrada no Hasdrúbal, que tem 8.474 eleitores para um total de 13 urnas, uma média de 700 eleitores por urna. Segundo os moradores, o bairro cresceu muito por causa do desenvolvimento rápido do Bairro Novo, ao lado do Sítio Cercado. A população dos dois bairros soma 89.034 pessoas, sendo que destas 31.818 moram no Bairro Novo, que surgiu de um loteamento em 1990.
Apesar da média ser considerada alta, a chefe Adriana eximiu-se de culpa ao alegar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) previu a demora de um minuto por eleitor para votar nos cinco candidatos. ‘‘Se os eleitores tivessem se preparado e levado cola para votar, isso não teria acontecido’’, justificou. Mesmo com a previsão mínima do TSE, seriam necessárias 11,6 horas para atender a todos. Adriana disse que não teve ‘‘tempo’’ de fazer ‘‘as contas’’.
A votação no Hasdrúbal, que deveria terminar às 17 horas, se arrastou até 21h30 horas, quando foi encerrada a última seção. Os últimos eleitores que permaneceram nas filas estavam indignados e, em protesto, mudaram os votos na última hora. Outros disseram que vão justificar o voto nas próximas eleições para não ter que enfrentar problemas.
A dona de casa Maria Elísia Dal Cortivo culpa os eleitores pela demora. ‘‘Não havia gente para organizar a concentração de gente, muitas pessoas furavam a fila e outras ainda nem sabiam em quem iam votar’’, disse. Ela foi ao colégio às 9h30, mas desistiu de votar por causa da fila. Voltou às 15h30 e não teve como escapar. Teve que esperar até às 19 horas para votar.
O cobrador José Ricardo Dória esperou duas horas. Ele disse que, além de a urna da seção em que vota (357) ter estragado, muitos eleitores furavam a fila e não sabiam onde e em quem votar. ‘‘Faltou explicação para quem não sabia votar. Houve tumulto’’, afirmou. Segundo a dona de casa Antonia Rodrigues de Lima, ‘‘estava tudo uma bagunça’’. Ela ficou cinco horas na fila. Chegou às 14 horas e acabou perdendo a tarde inteira para votar. ‘‘Eu tenho artrose e não aguentava mais ficar na fila.’’ Para o ajudante de calderaria Ataíde Turma, que esperou quatro horas para votar, ‘‘se o voto não fosse obrigatório, não existiria essa falta de respeito’’.

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