Calçadão de Londrina, sábado de manhã, três meses para a campanha eleitoral. No ponto mais tradicional da cidade para o encontro de candidatos com o eleitor ou mesmo para a distribuição de material de divulgação, duas cenas chamavam a atenção de quem passava pelo local: a aglomeração de um grupo de pessoas atentas a um único interlocutor – um palhaço, em frente a uma loja de eletroeletrônicos, ao lado de um ‘paredão’ de DVDs piratas à venda – e um carro de som em volume generoso todo adesivado – não com número nem sigla de partido, e sim com o nome do circo que anunciava o espetáculo da noite à potencial clientela. Justamente no dia em que as ações à caça de eleitores seriam mais intensificadas, em eleições passadas, foi esse ontem o cenário que a FOLHA encontrou mesmo decorrido já quase um mês em que a propaganda de rua foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
  Pelo calendário das eleições 2010, a propaganda eleitoral está liberada desde 6 de julho – o que disponibiliza ao eleitor um cardápio em que podem estar incluídos desde comícios a alto-falantes ou amplificadores de som, além de panfletagem.
  Para o eleitorado ouvido pela reportagem, contudo, a falta da campanha de rua em Londrina, seja no Calçadão ou, timidamente, em alguns poucos cruzamentos da cidade, não é algo a se lamentar – ao menos à maioria dos consultados. ‘‘É bom que não tenha mesmo, pois não é isso que vai influenciar o voto de alguém – eu não escolho o candidato por uma bandeira na rua ou por um santinho, mas pela propostas dele e pela credibilidade que me passe’’, analisou a professora Giovana Valentino, 31. O marido, o engenheiro civil Luciano Rosso, 39, concorda. ‘‘Além disso suja a cidade’’. Em frente ao principal ponto de barracas e distribuição de material impresso, em outras campanhas, o engraxate Evandro Soares da Silva, 15 anos, também não se incomodou com o
‘‘silêncio’’ e a limpeza pouco usuais ao período. ‘‘É muito papel jogado fora, sem falar que, quando tem candidato por aqui, são poucos os que engraxam o sapato’’, delatou.
  Já o palhaço ‘‘Sabonete’’, codinome do curitibano Antonio Marcos Moraes, 33, fez um pedido: os candidatos podem e devem ir às ruas – ‘‘como conhecer o sujeito se não for no boca a boca?’’, justifica –, mas, no dia da votação, nada de nariz de palhaço para protestar contra a classe política. ‘‘Isso ofende o palhaço. Se o pessoal acha político ladrão, que vá de máscara, então’’, sugere.

mockup