Mais de 50 milhões de mulheres terão direito ao voto nas próximas eleições de 1998. Em toda a história do Brasil, nunca o eleitorado feminino teve tanta expressão política, equivalendo a 49,57% do total do número de eleitores, segundo levantamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Responsáveis praticamente pela metade dos votos das próximas eleições, as mulheres se tornarão um novo alvo dos candidatos.
Em dez das 27 unidades da Federação, as mulheres já são maioria. Se quiserem se eleger, os candidatos precisarão dar atenção redobrada para as eleitoras em Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. ‘‘Isso é bom porque a mulher é uma eleitora muito mais atenta às propostas, conhece mais economia popular do que os homens e cobra quando um candidato não cumpre o que prometeu’’, avalia o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Congresso.
Arruda tem motivos de sobra para se preocupar com o voto feminino. Ele será candidato ao governo do Distrito Federal, onde as mulheres representam cerca de 5% a mais de votos do que os homens. Ao todo, são 60 mil votos a mais das mulheres. ‘‘Minha mulher será meu principal cabo eleitoral’’, anuncia, citando sua esposa, a atriz Marianne Vicentini. ‘‘Ela representa a mulher ativa, que toma suas decisões e vai à luta atrás do que acha importante’’, conta.
No Nordeste, as mulheres são praticamente absolutas. Em sete dos nove Estados, já são maioria. Ao todo, representam na região 13,85 milhões de votos contra 13,67 milhões de homens aptos a participar das eleições. O Nordeste tem hoje 27,19% dos votos de todo o Brasil e as mulheres têm mais votos. Só não são maioria na Bahia e no Maranhão.
No Sudeste, onde está concentrado o maior número de eleitores do Brasil (44,7% do eleitorado nacional), as mulheres têm apenas 100 mil votos a menos do que os homens. E no Rio de Janeiro o voto feminino já é maioria, com 50,5% do total de eleitores do Estado. ‘‘É importante esse espaço que a mulher está ocupando a cada eleição’’, afirma o deputado federal Jair Bolsonaro (PPB-RJ), terceiro mais votado no Estado em 1992 e que tentará sua reeleição. ‘‘Mas o ideal é fazer uma campanha geral, com temas, sem se preocupar com assuntos femininos ou masculinos’’, diz Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, que se elege com os votos da chamada ‘‘família militar’’.
Os homens têm maioria dos votos apenas na região Norte, justamente onde se concentra o menor número de eleitores do Brasil (6,23% do total nacional). As mulheres não são maioria em nenhum dos Estados da região, mas já respondem por 2,9 milhões de votos do total de 6,3 milhões do Norte. As mulheres representam ainda maioria dos votos cadastrados de eleitores brasileiros que moram no exterior. Do total de 36.826 eleitores, mais de 21 mil são mulheres, equivalendo a 59,64% desse colégio eleitoral.
‘‘As mulheres têm cada vez maior participação na vida política brasileira’’, analisa o senador Elcio Álvares (PFL-ES), líder do governo no Senado. ‘‘O candidato que ignorar este fato e ignorar as preocupações das mulheres na hora de fazer sua campanha pode ter uma surpresa desagradável na hora de contar seus votos’’, diz.

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