Eleitor votou cedo para descansar no domingo
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domingo, 03 de outubro de 2004
Phoenix Finardi<br>Reportagem Local 
O eleitor londrinense acordou cedo ontem. Antes das 8 horas muita gente já estava fora de casa, pronta para cumprir com a obrigação de cidadão. A cidade ficou cheia e barulhenta. Ruas e avenidas que costumam ficar praticamente vazias nas manhãs de domingo, mostravam um movimento inusitado de carros e ônibus. Como de costume, a maioria dos eleitores preferiu votar pela manhã para garantir a folga no resto do dia.
A família Riviera chegou ao Colégio Marista, na Zona Oeste, pouco depois das 8 horas. João Carlos, 49 anos, Rosangela, 41, e os filhos João Renan, 17, e Andressa, 22, votam no mesmo candidato para prefeito. Para João Renan a ocasião foi especial: ''É o meu primeiro voto e não foi fácil chegar numa decisão'', confessou. João Carlos, que trabalha com a esposa no comércio, revelou os planos do casal para o resto do dia: ''Vamos descansar, dormir. Afinal, amanhã (hoje) é segunda-feira''.
Mesmo sem ser obrigado a votar, o casal de pioneiros Teruo Ono, 89, e Motoko Ono, 88, fez questão de ir até a urna. Eles chegaram em Londrina em 1933 para trabalhar como agricultores. Esperta e bem humorada, Motoko confessou que gosta muito de política, acompanhou todos os programas eleitorais pela TV e discutiu muito com o marido sobre o melhor candidato. ''Agora que já votamos, vamos brigar o resto do dia até sair o resultado da eleição'', brincou.
Os deficientes físicos que votaram no local não tiveram problemas com as escadas. Um elevador facilitou a chegada de Delcínio Peres, 56 anos, cadeirante, até a seção eleitoral. ''Eu sempre votei aqui mas até o ano passado podia subir a escada. Agora, depois do derrame, ainda bem que tem elevador e funciona'', reconheceu.
Apesar da proibição, vários comerciantes resolveram arriscar e abrir as lojas no dia da eleição. Na Zona Sul a reportagem da Folha flagrou lojas de roupas, calçados, presentes, locadoras, materiais de construção, centrais de mototáxi e até salões de beleza funcionando. O garapeiro Sebastião Nascimento, 66 anos, estava animado com o movimento em frente do Colégio Estadual Albino Feijó, no Parque Ouro Branco: ''Só vou votar no final do dia, depois que vender toda essa cana.'' A esperança de ganhar um dinheirinho extra também levou o vendedor de sorvetes José Francisco, 60, para a porta da escola. ''Estou com a idéia de vender os 200 picolés que eu trouxe'', adiantou.
Mesmo sendo proibido crianças votarem no lugar dos pais, muitos eleitores menores de 16 anos estreiaram nas urnas eletrônicas. A pequena Natália, de cinco anos, confirmou o voto do pai, o contabilista Antonio Marcos Naves, 33 anos. Ela gostou da experiência: ''Quando crescer também vou votar''.
A maioria dos eleitores chegava à seção com os candidatos definidos e os números decorados. Mas houve quem deixasse a decisão para a última hora: ''Tenho candidato a prefeito mas ainda não sei em quem votar para vereador'', confessou Sonia Maria da Rosa, 44 anos, doméstica. Na porta do Caic da Zona Sul, no Jardim União da Vitória, ela se preparava para ir à urna: ''Vou conversar com minhas amigas e ver se elas me dão alguma idéia''.
Os garis tiveram uma ajuda ''extra'' para limpar a cidade: na periferia, grupos de crianças passaram o dia juntando santinhos do chão. Roney Cesar, 11 anos, Eliton Henrique, 9 e Luciane Halabura, 10, moradores do União da Vitória, enchiam sacolas com os papéis. No fim do dia, o trabalho vira brincadeira: ''A gente coloca uma lata no meio da rua e depois tenta acertar a lata com o chinelo. Quem conseguir, ganha todos os santinhos'', explicou Luciane. O vencedor vende os papéis por dez centavos o quilo.


