A adoção da urna eletrônica em todos os municípios brasileiros pela primeira vez na eleição deste ano motivou o nascimento de uma indústria interessada em ‘‘treinar’’ o voto dos eleitores pouco familiarizados com esse tipo de equipamento. Uma urna fabricada com papelão, que recebeu o nome de Simulador Cartonado de Voto e que reproduz características do equipamento eletrônico verdadeiro, é o principal produto desse novo filão – e já foi apresentada no Paraná.
Inventada por uma empresa gaúcha, que a patenteou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a urna de papelão vem com quatro cartões, que simulam as telas do computador oficial que será utilizado no dia das eleições. Neles, o candidato a prefeito ou vereador deve colar sua foto e escrever seu nome, número e partido – como a urna será vista no dia da eleição. Os cartões são trocados manualmente.
O teclado numérico, de borracha, e as teclas para se votar em branco (na cor branca), para corrigir o voto (alaranjada) e para confirmá-lo (verde) são apenas ilustrativos. Quando desmontada, a urna, triangular, se transforma em uma pequena pasta.
‘‘É o meio mais fácil de ensinar seu eleitor a votar certo’’, afirma um folheto que está divulgando o produto. Para Cesar Setti, empresário curitibano que representa o equipamento no Paraná e outros sete Estados, a urna de papelão ajuda os eleitores a ‘‘exercer sua cidadania’’, ao colaborar para diminuir a anulação de votos por erro no manuseio. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o índice de votos anulados na última eleição – quando a urna eletrônica só foi utilizada nas 21 maiores cidades do Paraná – chegou a 30% do total.
Até a semana passada, a empresa de Setti havia vendido 50 mil urnas de papelão – 4,5 mil delas para políticos paranaenses que estarão na disputa do dia 1º de outubro. Por enquanto, o Estado tem 24,9 mil candidatos a vereador e mil candidatos a prefeito no pleito. Esses números poderão mudar porque o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julga até 2 de setembro pedidos de impugnação de candidaturas, uma situação que pode alterar com algum significado o panorama da disputa.
Cada equipamento custa R$ 39,90, com desconto para pedidos acima de 500 unidades. Até o final de setembro, Setti planeja vender 250 mil unidades. Para isso, a empresa até criou um site na Internet (www.simuladordevoto.com.br). O TRE confirmou que o uso da urna de papelão é permitido, ao contrário de simuladores eletrônicos ou mecânicos, que alguns empresários criaram e tentaram utilizar. De acordo com o empresário, cada simulador pode ‘‘ensinar’’ 500 eleitores a votar.
Antônio Wanscher, candidato a prefeito de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) pelo PPS, foi o primeiro comprador da urna. ‘‘Deixamos à disposição aqui no comitê e os eleitores têm gostado, já que a maioria encontra dificuldade para usar a urna eletrônica’’, disse à Folha José Carlos Szadkoski, coordenador da campanha do candidato.

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