Eleitor supera crise política, dizem analistas
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sábado, 06 de outubro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Embora Londrina conviva com crises políticas - envolvendo membros do Executivo ou da Câmara de Vereadores - há mais de uma década, o eleitor tem superado as adversidades e, mesmo indignado, deve comparecer às urnas neste domingo. Cerca de 360 mil eleitores escolhem hoje prefeito e vereadores que vão governar a cidade de 2013 a 2016. De acordo com analistas políticos ouvidos pela FOLHA, o número de abstenções e votos brancos ou nulos não deve ultrapassar o das últimas eleições municipais. Em 2008, o índice de abstenções foi de quase 16% e os votos inválidos somaram 5,82%.
Para o professor Elve Miguel Cenci, que leciona no curso de filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o eleitor londrinense está indignado com as crises, mas segue sua vida. ''Acredito que o londrinense está indignado com a situação política da cidade, mas não creio em um movimento em massa de votos brancos e nulos.'' Um dos motivos, segundo Cenci, é o fato do eleitor saber que votos brancos e nulos são inválidos. ''Esse tipo de voto é uma forma de se eximir, de não participar da decisão.''
O professor mencionou como reflexo da recente crise política - a cassação de Barbosa Neto (PDT), a prisão e renúncia de José Joaquim Ribeiro (sem partido) após ter confessado receber propina de empresas que venderam uniformes para o município - o atraso na campanha eleitoral. ''A campanha somente começou depois que o Ribeiro renunciou, o que atrapalhou um pouco o debate. Talvez por isso o número de indecisos seja grande nas últimas pesquisas eleitorais.''
O professor de Ciência Política Mário Sérgio Lepre também não acredita em protesto por meio dos votos inválidos. Para ele, os eleitores acabam se empolgando com a campanha política. ''Me parece que a campanha cria a expectativa de mudança, fazendo com que o eleitor renove suas esperanças em uma política melhor'', analisou. ''Por mais que haja descrença, é preciso esperança e o eleitor gosta de votar. No final, acaba virando torcida para um outro candidato.''
Com esta tese, o professor defende o debate acerca do voto facultativo em uma possível reforma política. ''Acho que já temos um tempo razoável de democracia com o voto obrigatório. Quando se retira a obrigatoriedade, a cidadania se torna mais plena e aumenta a qualidade do voto.'' A tese é alvo de críticas, com argumentos como a maior possibilidade de compra de voto e um controle maior dos eleitores por parte dos candidatos.


