O eleitor brasileiro mudou e não vota mais por hábito, tradição ou fidelidade aos familiares e líderes locais. Isso, porém, não significa evolução para o voto racional e consciente, mediante escolha de candidatos com base em partidos, programas ou ideologia. O eleitor, na verdade, ficou mais independente e seguidor de sua intuição. Essa é a tese do sociólogo e professor gaúcho Flávio Eduardo Silveira, que vai lançar, na próxima semana, o livro ‘‘A Decisão do Voto no Brasil’’, resultado de seis anos de pesquisa sobre os hábitos eleitorais do brasileiro.
Depois de selecionar e entrevistar, durante oito horas cada um, 80 eleitores entre 1991 e 1996, o sociólogo apresentou o trabalho como tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Aprovado com louvor, Silveira transformou as 450 páginas da tese em 296 do livro a ser lançado pela editora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), onde leciona Ciências Políticas e Sociologia.
‘‘O novo eleitor não é mais racional’’, afirma o cientista político, ao contrário de boa parte de seus colegas, adeptos da teoria evolucionista do voto dos brasileiros. ‘‘Ele não é levado pela razão, mas pelo seu gosto, tendo em vista a imagem dos candidatos, suas características expressivas, simbólicas ou morais’’, explica o autor. ‘‘A maioria se manteve pouco interessada por política, atribuindo pouca importância às propostas partidárias, plataformas eleitorais ou referências ideológicas.’’

mockup