Eleitor rechaça promessas fantasiosas
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sábado, 18 de setembro de 2004
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - O eleitor está mais desconfiado do que nunca e muito mais exigente do que era em 2000. Ele rejeita de saída qualquer oferta de promessa mirabolante e rechaça embalagens fantasiosas, que usem os recursos modernos de TV, como miragens e trucagens virtuais. E só acata como elemento de convencimento eleitoral as realizações concretas dos candidatos. Ele busca um conjunto de informações sobre os candidatos que antes não o preocupavam. Este é o novo eleitor de São Paulo, revelado pelas pesquisas de perfil realizadas pelos institutos de pesquisa.
Foi esse eleitor exigente que rejeitou propostas como o CEU-Saúde, da prefeita Marta Suplicy, e o Cartão PAS de Paulo Maluf, ambas promessas que vinham embaladas em alegorias que os analistas qualificam como pouco convincentes. Promessas que não ostentavam uma base real que expurgasse a desconfiança que esse novo eleitor tem com os políticos e os partidos em geral. Esse novo eleitor escolhe seus candidatos aferindo a sua capacidade administrativa e seus dotes de liderança e não demonstra grandes atenções ou preferências com as siglas partidárias.
Para a analista de pesquisas Fátima Pacheco Jordão, o eleitor brasileiro evoluiu magnificamente nos últimos anos e tem estrita noção dessa evolução. ''Ele diz nas discussões de grupos que está mais esperto do antes'', afirma ela, como se gozasse esse amadurecimento como um grito de independência regenerador.
''O eleitor está muito mais racional e muito menos intuitivo'', concorda o especialista Rubens Figueiredo. Além de mais exigente e sofisticado, o eleitor busca mais informações sobre os candidatos e vasculha de forma estritamente racional as propostas que lhe são apresentadas. Acima de tudo, não se deixa iludir facilmente por promessas nem cai na tentação de votar por paixão ideológica ou partidária.
A razão principal desses cuidados e daquela desconfiança, para Fátima, está na frustração causada pela eleição presidencial de 2002, quando o eleitorado se deixou cativar pelas promessas de profundas mudanças apresentadas pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que não se concretizaram depois que ele assumiu o governo. A mais notória delas, inescapável nas discussões de grupo até porque é um número facilmente memorizável foi a menção aos 10 milhões de empregos, ainda que ele explique, hoje, que falava em empregos necessários, não prometidos. Quando viu que as promessas de mudanças radicais se esfarinharam, o eleitor caiu num estado de ceticismo ''nunca visto antes'', atesta Fátima. A frustração nivelou por baixo os partidos e os políticos são todos iguais, define o eleitor.


