Eleitor londrinense daria vitória a Bolsonaro no primeiro turno
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domingo, 07 de outubro de 2018
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

O londrinense daria a eleição para o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) já no primeiro turno, como fez com Ratinho Júnior (PSD). O deputado federal e capitão reformado do Exército conseguiu 186 mil votos em Londrina, o que representa 65% dos válidos. Os votos brancos e nulos também são expressivos e superam o terceiro colocado tanto para a Presidência da República quanto para o Governo do Paraná. Em âmbito nacional, Bolsonaro enfrentará Fernando Haddad (PT) no segundo turno.
Londrina tem 371.998 eleitores, que votam em 138 locais de votação distribuídos em quatro zonas eleitorais - a 146ª Zona Eleitoral, entretanto, engloba o município de Tamarana, mas estes eleitores não foram levados em conta nos cálculos da reportagem.
O segundo candidato mais votado pelos londrinenses foi Ciro Gomes (PDT), com 29.465 votos, ou 10.31% dos válidos. Haddad, o terceiro na lista, teve 18.939 votos, que representam 6,63% dos votos contabilizados, mas fica abaixo dos brancos e nulos somados, que chegam a 23.832. O candidato paranaense ao Palácio do Planalto, Alvaro Dias (Pode), ficou em quarto lugar e Londrina, cidade onde iniciou sua carreira política como vereador - o candidato, que está na metade do mandato de senador, angariou 16.494 votos, ou 5,53% dos válidos.
A votação em Londrina destoa do resultado geral do Paraná. Com 99,99% das urnas apuradas no momento do fechamento da reportagem, Bolsonaro tinha 56,89% dos votos válidos, enquanto Haddad figurava com 19,7% e Ciro Gomes, com 8,31%.
Para governador, Ratinho Júnior (PSD) teve a simpatia de 144.049 eleitores londrinenses, ficando com 61,68% dos votos válidos - o percentual é parecido com o resultado estadual, que deu 59,99% dos votos válidos a ele, quando havia 99,9% da urnas apuradas. A segundo colocado em Londrina, Cida Borghetti (PP) 39.639 votos (16,97% dos válidos) e João Arruda (MDB), 28.607 (12,25%). Os números também se aproximam do resultado estadual, mas o que chama a atenção é o montante de brancos e nulos: somados, chegam a 49.739, superando até mesmo os eleitores da segunda colocada.
Para o professor de Ética e Filosofia Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Clodomiro Bannwart, os votos nulos e brancos tendem a ser menores quando há uma polarização grande, como ocorre na disputa presidencial. "Para o governo do Estado, o que vemos é uma continuação de um mesmo governo. Este sentimento de continuidade, sem uma oposição forte, faz com que o eleitor deixe de votar. É diferente do caso para presidente: o sentimento antipetista que se mostra muito forte em Londrina estimula o eleitor a querer afastar o PT", avalia.
Antipetismo em Londrina
Na visão de Bannwart, a votação expressiva de Bolsonaro em Londrina pode ser explicada pela força do argumento antipetista entre os eleitores - além do candidato à presidência, ele também relaciona a votação alta em outros candidatos do mesmo partido ligados a ele, como o vereador Filipe Barros e o deputado Fernando Francischini.
Ciro na segunda posição também é uma demonstração do reflexo da polarização política. "Muitos migraram os votos do Haddad para o Ciro na última semana com base nas pesquisas que demonstravam uma vitória mais fácil dele em um eventual segundo turno", analisa.
Já no caso dos candidatos ao governo, Bannwart vê uma concentração de votos dos eleitores de Beto Richa (PSDB), que tinha tanto em Cida quanto em Ratinho a continuidade de seu governo. "É um eleitorado que não mudou o grupo político que se instalou no Paraná, que é um governo consolidado e que não teve oposição forte. Porém, a prisão do ex-governador deve ter pesado mais para Cida que para Ratinho, uma vez que ela era a vice-governadora, enquanto ele era apenas secretário", ressalta.
(Colaborou Fábio Galiotto)


