Eleitor espera resultados consistentes das CPIs
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sábado, 22 de março de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Assembléia Legislativa do Paraná começaram a funcionar esta semana com um desafio: apresentar à opinião pública, como promete a bancada do governador Roberto Requião (PMDB), relatórios e conclusões consistentes. Os alvos das investigações são ações do governo do antecessor Jaime Lerner (PFL), adversário político do atual governador.
Pelos próximos 120 dias, 41 dos 54 deputados do Paraná, incluindo situação e oposição, prometem se debruçar sobre contratos, relatórios e denúncias anônimas na tentativa de elucidar os gastos com os Jogos Mundiais da Natureza, em 1997; os termos dos contratos do Estado com as concessionárias do pedágio; a compra de 45% das ações da Sercomtel pela Copel, em 1998; os convênios da Paranacidade; e um esquema de lavagem de dinheiro via agência do Banestado em Nova York, extinta em 1999.
Os temas foram escolhidos a dedo pelos governistas, que nunca conseguiram emplacar essas investigações quando eram oposição, na gestão de Lerner. Uma sucessão de manobras da situação na época barrou as pretensões dos hoje requianistas.
Agora que eles dão as cartas no Poder Legislativo, onde são maioria, prometem um pente-fino dos temas propostos. Sabem que vão esbarrar, porém, em dificuldades de ordem técnica. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), não autorizou a contratação de técnicos especializados contadores, engenheiros, auditores para dar suporte aos trabalhos.
Os deputados vão buscar corpo técnico em associações, sindicatos, Poder Judiciário. As CPIs funcionarão simultaneamente, sobrecarregando a estrutura da Casa, que continuará realizando as sessões plenárias à tarde. Por isso, a maioria das reuniões das comissões será concentrada pela manhã.
O primeiro-secretário da Casa, Nereu Moura (PMDB), já avisou que se a oposição fizer 'corpo mole' nas apurações, haverá substituições.
A CPI da Copel-Sercomtel tem potencial para atrair boa parte das atenções. O raio de ação é amplo. Além da compra de 45% das ações da empresa de telefonia municipal pela Copel, os deputados vão mexer em assuntos delicados, entre eles a compra de créditos tributários pela Copel. Esse tema, já investigado pelo Ministério Público (MP) estadual, culminou com o pedido de prisão preventiva do ex-presidente da Copel e secretário da Fazenda Ingo Hubert, do doleiro de Londrina Alberto Youssef, e outras seis pessoas, no final de fevereiro.
O comando das CPIs gerou disputa na Assembléia. A mais acirrada foi a da Copel-Sercomtel. A autora da proposta, Elza Correia (PMDB), que assumiu seu primeiro mandato na Casa, teve seu nome minado nos bastidores. Elza prometia apurar, com rigor, os detalhes por trás da operação envolvendo a Copel a a Sercomtel.
A alegação oficial para a destituição de Elza, substituída por Marcos Isfer (PPS), foi que nenhum deputado de Londrina participaria dessa CPI, por envolver tema local que poderia virar palanque nas eleições municipais do ano que vem.


