Grande concentração de pessoas na data cívica mais importante do calendário nacional. Estava armado o cenário perfeito para os aspirantes às vagas de prefeito e vereador se aproximarem um pouco mais dos eleitores. Em Londrina, o público presente ao desfile na Avenida Leste-Oeste (área central), teve que ter paciência para suportar o assédio de candidatos e cabos eleitorais. Mas teve gente também que aproveitou para protestar, pacificamente, contra os políticos desonestos.
Os cabos eleitorais, em bandos, distribuíram toda sorte de material de campanha: objetos, brinquedos e balões de ar com o nome do candidato, ''santinhos'', jornais e cartazes. Institutos de pesquisa também aproveitaram para medir as opiniões do eleitorado. Embora praticamente todos os concorrentes à cadeira de prefeito tenham mandado representantes, apenas dois candidatos compareceram para prestigiar o desfile e cumprimentar os eleitores. O eletricista Édson Antônio Lopes, 44 anos, revelou que foi ''bastante'' assediado mas não desaprovou a atitude. ''É a melhor coisa para o candidato porque consegue ter contato com o povo'', avaliou. O corpo-a-corpo, segundo ele, serve para o eleitor conhecer melhor as propostas e o próprio candidato. Mas ele confessa que nem todo o assédio do mundo o faria mudar seu voto para prefeito. ''Já decidi'', pontuou. Com relação à sua escolha para a Câmara Municipal, ele ainda mantém a indecisão. ''São muitos candidatos'', explicou.
Desempregado, o servente de pedreiro Zaqueu Dias Soares, 53 anos, também recebeu bastante material de campanha. O que, para ele, não ajudou muito. ''Eles só entregaram os santinhos e não falaram mais nada'', lamentou. Por tudo isso, não nutre expectativas positivas com relação à eleição. ''Eles estão fazendo só para eles. Eu já perdi a esperança. Está ficando cada vez mais difícil para o povo'', reclamou o eleitor.
Quem também fez questão de demonstrar insatisfação com a política, principalmente contra os políticos desonestos, foi um grupo de pessoas vestidas com capuzes brancos e com um grande machado de madeira nas mãos. ''Nossa proposta é cortar o mal pela raiz'', explicou um dos integrantes que preferiu não se identificar nem identificar o grupo que organizou o protesto pacífico. Para ele, a data era uma excelente oportunidade para conscientizar as pessoas. ''É um ótimo dia porque o povo está nas ruas. E o povo é o nosso bem maior'', justificou. O grupo garantiu não pertencer a nenhum partido nem estar fazendo campanha para nenhum candidato.

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