Eleitor deve fazer um comparativo entre os candidatos
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sábado, 26 de outubro de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Folha - Qual a sua avaliação da campanha eleitoral deste ano?
Alvaro - No primeiro turno foi uma campanha solitária. Como eu fui expulso do PSDB por assinar a CPI da Corrupção, eu fiquei sem alianças que estruturassem a campanha. Os prefeitos estavam ligados ao governo, com medo de sofrer alguma retaliação e por isso não fizeram a opção que gostariam. O segundo turno foi uma campanha rápida, mas que teve mais estrutura. O grande problema foi conter a onda Lula. O meu adversário surfou desde o primeiro turno nessa onda. No segundo turno isso foi ainda maior, porque ele tem usado o apoio de Lula na televisão.
Folha - O que foi mais complicado, o primeiro ou o segundo turno? O senhor achava que seria tão acirrada assim a disputa?
Alvaro - No primeiro turno tínhamos uma grande vantagem, mas nos faltou estrutura para vencer. Em junho as pesquisas apontavam que tínhamos chances de vencer no dia 6 de outubro. No segundo turno a dificuldade foi em função da onda Lula.
Folha - O senhor se arrepende de alguma decisão ou estratégia de campanha?
Alvaro - Política é assim mesmo. Fica fácil ver os erros depois que o processo acaba. Acho que a minha campanha teve falhas na comunicação. Eu poderia ter estruturado melhor as minhas propostas na TV. Mas tive dificuldade em formar uma equipe para montar os programas. Mudamos três vezes de equipe.
Folha - O que o senhor faria de diferente para conquistar mais voto?
Alvaro - Se a campanha começasse novamente eu estruturaria melhor, e com mais antecedência, a equipe de comunicação, para evitar essas trocas que acabaram trazendo um prejuízo.
Folha - Na sua avaliação, o que é que o eleitor do Paraná está esperando nesta eleição?
Alvaro - Acredito que nesse momento o eleitor fica confuso diante de tantas promessas e propostas. O que o eleitor pode fazer é um comparativo do que foi o meu governo e o do meu adversário. E também é importante evitar a influência das ondas, como a onda Lula. Especialmente as ondas que vêm de fora. Nesse momento o eleitor tem a obrigação de olhar o que é melhor para o seu Estado.
Folha - Se no dia 27 não der para ganhar a eleição, que rumo o senhor dará para a sua vida política?
Alvaro - Eu não admito a derrota.
Folha - E se o senhor se eleger, começa imediatamente a trabalhar na transição?
Alvaro - Vou passar a semana montando a equipe de transição. Depois vou me recolher para montar o restante da equipe de governo. Mas ainda retorno ao Senado. Pretendo cumprir meu mandato até o final do ano.
Folha - Como foi a condução do processo eleitoral pela Justiça Eleitoral? No que o senhor acha que falhou?
Alvaro - O Paraná foi o único Estado em que se permitiu o desrespeito à verticalização. O partido do meu adversário está coligado com o PSDB. A vice de Serra é do PMDB. Mas aqui no Paraná se permitiu que o PMDB recebesse o apoio do PT, em total desrespeito à lei. Essa foi a falha crucial do TRE e poderia ser fatal. Meu partido e eu estamos oficialmente apoiando o PT, mas o meu adversário é que tira vantagem disso. E eu falo dessa atitude do TRE com tranquilidade porque em nenhum outro Estado isso aconteceu. Será que estão todos errados e só o TRE do Paraná está certo?
Folha - O que foi mais complicado, fazer campanha contra Lerner em 1994 ou contra Requião neste ano?
Alvaro - Em 1994 foi muito pior. Foi um massacre do poder econômico. Esse ano eu sempre estive na frente. Só teve essa pesquisa em que eu não apareci em primeiro, e nem sei porque isso aconteceu. Quer dizer, foi por causa da onda Lula.


