Arquivo FolhaEduardo Ferreira: secretário sugere sindicância no SercomtelUm ano e quatro meses depois do segundo turno da campanha eleitoral de 1996, Edson Carlos Bolsok ingressou ontem na Justiça Eleitoral de Londrina com um pedido de investigação judicial contra o candidato derrotado, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) e a assessora jurídica do Sercomtel, Irma Sueli Oricolli. Bolsok alega que Hauly usou a máquina pública ao receber etiquetas do Sercomtel para sua campanha, material que se caracteriza como publicitário. Bolsok não foi localizado pela Folha para explicar os motivos que o levaram a aguardar tanto tempo para requerer a investigação. O número de seu telefone não consta da lista telefônica.
No pedido de investigação, cujo deferimento não depende da Justiça Eleitoral, Bolsok afirma que a legislação eleitoral veda a utilização de bens e serviços públicos em benefício de candidatos, o que caracteriza abuso de poder econômico, político e de autoridade. Junto com o processo, ele anexou uma cópia do ofício assinado por Irma Oricolli, datado de 7 de novembro de 1996, encaminhado a Hauly.
O documento contém apenas duas frases: ‘‘Atendendo sua solicitação, estamos lhe encaminhando etiquetas contendo o nome e endereço de todos os nossos colaboradores. Esperamos que as mesmas possam lhe ser útil no desenvolvimento da brilhante campanha’’. Além do uso da máquina, Bolsok acusa ‘‘a existência de uma verdadeira rede na empresa Sercomtel em benefício do ora acusado, tudo capitaneado pela então diretora Irma Sueli Oricolli. A prática não poderia ser diferente’’ - diz ele - ‘‘vez que o ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida manifestou seu apoio à candidatura de Hauly, estendendo assim, os benefícios e a utilização da máquina pública em prol do seu predileto’’.
A assessora jurídica da Sercomtel ficou sabendo pela Folha do pedido de investigação judicial. ‘‘É uma sensação horrível ter a certeza de não ter feito nada contrário à lei e levar um susto desses, mas tenho tranquilidade de prestar todos os esclarecimentos quando questionada pela Justiça’’, reagiu Irma, funcionária de carreira da empresa há mais de 20 anos.
Ela diz lembrar do ofício e informa que as etiquetas foram fornecidas para os dois candidatos (Hauly e Antonio Belinati, atual prefeito), a pedido deles próprios. ‘‘A legislação eleitoral diz que o serviço público não pode omitir informações aos candidatos. A resposta aos dois têm o mesmo teor e o atendimento foi o mesmo. O Sercomtel sempre primou por tratar todo mundo igual’’.
Irma Oricolli diz que as palavras ‘‘brilhante campanha’’ no ofício indicam apenas ‘‘gentileza e educação’’. Ela reconhece, porém, que pode parecer estranho para o público leigo o fato de o Sercomtel fornecer nome e endereço dos colaboradores da empresa através de etiquetas. ‘‘Nosso cadastro está programado para isso’’, argumenta.
Para Hauly, o pedido de investigação ‘‘é uma ladainha’’. ‘‘A oposição está tentando tumultuar o processo porque está frita. O Belinati e o Lerner terão que prestar contas à Justiça porque cometeram abuso de poder, e isso é crime passível da perda de mandato’’, diz Hauly, referindo-se ao recurso ganho no Tribunal Regional Eleitoral no último dia 2 que reabre a investigação judicial requerida por ele contra Belinati e Lerner. Hauly os acusa de terem usado a máquina pública no segundo turno da campanha de 96.
O procurador jurídico da prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira, diz que vai sugerir ao presidente do Sercomtel, Rubens Pavan, a realização de uma sindicância para apurar a denúncia, pois ‘‘envolve funcionária pública’’.

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