Curitiba - Os deputados estaduais retomam hoje as sessões plenárias na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, sem temas polêmicos na pauta e mais preocupados com as eleições municipais que acontecem daqui dois meses. Contudo, a eleição para a Mesa Diretora da AL, o procedimento aberto no Conselho de Ética para investigar declarações do deputado Cleiton Kielse (PEN) sobre o envolvimento de políticos com as concessionárias de pedágio e a ideia de um plebiscito estadual para avaliar a proibição do fumo ao ar livre podem agitar um segundo semestre que tinha tudo para ser tranquilo na AL.
Dez dos 54 parlamentares são candidatos a prefeito em cidades do interior, mas o presidente Valdir Rossoni (PSDB) disse à reportagem que não haverá nenhuma mudança na forma como a Casa é conduzida, seja na parte administrativa ou nos processos legislativos. ''Vamos dar continuidade ao que estávamos fazendo. As sessões plenárias ocorrerão normalmente. Talvez façamos alguma mudança na semana que antecede as eleições, mas isso será resolvido depois'', diz o tucano.
Na pauta do dia, dos dez projetos listados para votação, os mais polêmicos são a criação da região metropolitana de Umuarama e a proibição da venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina. A atenção deve recair também sobre o deputado Leonaldo Paranhos (PSC), presidente da comissão de Defesa do Consumidor, que prometeu ingressar na Justiça Federal com uma ação cautelar pedindo que a TIM continue proibida de vender novas linhas no Paraná até que a qualidade do serviço melhore significativamente.
Paranhos também responde pela primeira polêmica do novo semestre, pois a comissão formada por ele, Bernardo Carli (PSDB), Pedro Lupion (DEM), Toninho Wandscheer (PT) e Gilson de Souza (PSC) tem apenas vinte dias para levar ao plenário um parecer sobre a realização do ''plebiscito do fumo''. Consultados pela reportagem, deputados estaduais manifestaram-se contrários à ideia, rechaçando a hipótese do poder público arcar com a realização do plebiscito.
Mas, informado sobre a indisposição dos colegas, Paranhos disse que vai insistir com a medida. ''Os deputados não querem polemizar, mas até os fumantes sabem que dificultar o uso é a melhor opção para a saúde das pessoas e para economizar recursos do SUS. 200 mil pessoas morreram em decorrência do cigarro ano passado'', defende-se o deputado, autor também do projeto que pede a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa de 2014.
Enquanto isso, o Conselho de Ética, presidido por Edson Praczyk (PRB), terá que lidar com Cleiton Kielse, ex-PMDB, agora filiado ao PEN. ''Espero que o conselho tenha um procedimento correto, de no mínimo exigir do deputado que ele nomine os acusados. A Assembleia vive um novo momento e acusações não podem passar em branco numa época em que buscamos recuperar a credibilidade do Legislativo perante a sociedade'', aconselha Rossoni.
''Kielse exagerou, passando do limite do razoável e saindo da esfera pública para invadir a pessoal. Ele exagerou ao colocar todos os deputados no mesmo grupo de acusados. Se ele tem provas, devia ter apontado'', reclamou Douglas Fabrício (PPS). A declaração do deputado revela o problema a ser enfrentado por Praczyk, pois Kielse já anunciou que mudou de partido justamente para ser contundente. ''Vamos ter novidades com relação ao pedágio no segundo semestre'', avisava o político, após ingressar no PEN ao lado do deputado federal Fernando Francischini (ex-PSDB).
Apesar das declarações de Rossoni, afirmando que não há na AL disputa antecipada pela presidência que hoje o tucano ocupa, declarações do atual líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), despertaram os demais membros da Mesa Diretora. Sem fazer críticas a Rossoni, os deputados Traiano, Artagão Júnior (PMDB) e Douglas Fabrício não recusariam um bate-chapa se fossem convidados ao enfrentamento. Ninguém assume a articulação por uma alternativa ao atual presidente, mas nos bastidores inegavelmente um ''grupo significativo'', nas palavras de Traiano, tem se movimentado.
''É normal que surjam essas conversas num momento pré-eleitoral'', ameniza Augustinho Zucchi (PDT). ''A Assembleia está bem organizada e o balanço do ano será bom. Não acredito que haja clima entre os deputados para um bate-chapa'', diz o pedetista. ''Eu não acredito na candidatura do líder do governo, pois a administração não tem nada contra mim, que tenho economizado recursos da Assembleia'', raciocina Rossoni.
Por via das dúvidas, o governo também não reservou nenhum projeto vital à administração para o segundo semestre. Conforme a Casa Civil, além da lei orçamentária para 2013 e de eventuais suplementações para alguns gastos, vai para a AL um projeto de remissão de pena para detentos que ingressem num programa de leitura e a retomada das pequenas centrais hidrelétricas.

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