O vereador que não decidir pela venda da Sercomtel Celular, na atual legislatura, pode pagar pelo desgaste ''na história da cidade, pessoalmente'', ou mesmo de forma política, em uma eventual tentativa de reeleição. O aviso do prefeito Nedson Micheleti (PT), ontem, à Câmara, marcou o fim do tom técnico que as partes vinham tentando adotar em relação ao grupo de estudos formado esta semana para discutir o futuro da telefônica - consideradas também a Fixa, Internet e coligadas.
Ontem, o grupo de estudo realizou a primeira reunião para definir a presidência e a relatoria. Como não houve acordo, a decisão ficou para segunda-feira, quando serão apresentados também os mais de 100 pedidos de informação, alusivos à telefônica, desde o ano 2000. Participam da comissão o presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB), Tercílio Turini (PPS), Paulo Arildo (PSDB), Jamil Janene (PMDB) e o líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima.
Em visita à Redação da FOLHA, Nedson colocou a diretoria e funcionários da Sercomtel à disposição do grupo e reiterou que, até que a equipe se manifeste nesse sentido, não vai encaminhar projeto ao Legislativo pela venda da Celular. Mas anunciou: ''(Caso os edis não concordem com a venda,) Imagino que a cidade saberá quais tiveram a responsabilidade histórica se a Sercomtel um dia estiver inviabilizada'', disse. ''Sobre mim é que uma respnsabilidade dessas não vai recair. Politicamente, aos vereadores, não sei se vão disputar a reeleição: se forem, e pelas tendências do mercado, lembro a eles que são responsáveis como administradores, também, por um processo em que teriam de ter agido.''
Para o líder do Executivo, ''é inevitável'' a politização de um debate que nasceu com a promessa de ser técnico. ''Porque ano que vem tem mais uma operadora concorrendo, e, caso a Sercomtel não sobreviva, a sociedade vai achar os responsáveis por isso. Ou seja: vai ter desgaste, claro.''
Jamil afirma discordar da politização, mas usa argumentos semelhantes aos da administração. ''O grupo terá análise técnica, mas é fato que a Celular está perdendo clientes e trazendo prejuízo também à Fixa'', resumiu. ''Com certeza isso não estará atrelado à eleição.''
Paulo Arildo também citou a suposta relação de prejuízo, mas ressalvou: a decisão final será da Câmara, ''sem interfência de ameaças do Executivo''. ''Não tememos o debate técnico, e é só por ele que uma eventual resposta pela venda será dada à população, e não por eventual desgaste nosso.''
Na opinião de Turini, a contaminação da análise do grupo por viés eleitoral só corre esse risco se o debate se estender até ano que vem - ele defende que os trabalhos sejam finalizados ainda este ano. ''Assim, creio que é prematura essa análise do prefeito. Não cabe a ele tirar conclusões nesse momento: pode até ser que exista o convencimento dele, mas não é da maioria da comissão.''
Sidney foi mais enfático: se houver desgaste em caso de quebra da Celular, ''a culpa será do chefe do Executivo''. ''Só se viesse projeto de venda e nós protelássemos a decisão: aí, sim, seríamos omissos. Mas essa responsabilidade é do prefeito; ele está redondamente enganado na colocação'', reclamou o petebista.

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