Eleições em Tuneiras permanecem indefinidas
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Fábio Cavazott<br>Reportagem Local 
A exemplo das sete cidades citadas pela FOLHA na segunda-feira, Tuneiras do Oeste (45 km de Umuarama) também não chegou a um desfecho nas eleições municipais de 2008. O prefeito reeleito Walter Luiz Ligero (PMDB) teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos, e a cidade permanece sendo administrada, desde 1º de janeiro, pelo presidente da Câmara, Genival Alves de Lima (PMDB). Segundo sentença da juíza Roseli Geller Barcelos, Ligero teria se utilizado da máquina pública para a captação dos votos.
Os outros municípios com as eleições sub judice são Cândido de Abreu (191 km de Apucarana), Jundiaí do Sul (64 km de Jacarezinho), Palmas (95 km de Pato Branco), São Sebastião da Amoreira (47 km de Cornélio Procópio), Ângulo (32 km de Maringá), Imbituva (50 km de Ponta Grossa) e Mamborê (36 km de Campo Mourão).
Um dos casos que pesam sobre Ligero é o de uma idosa que aguardava há quatro anos por uma cadeira de rodas e foi recebê-la da prefeitura às vésperas da eleição, alegadamente em troca de seu voto. Segundo levantamento do Ministério Público (MP), a Secretaria de Ação Social também utilizou passagens rodoviárias em troca de voto. O gasto com passagens pulou de R$ 500 para R$ 9 mil, na comparação de setembro de 2007 para setembro de 2008 - mês que antecedeu as eleições.
Ligero recorreu da condenação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e aguarda uma decisão. O processo foi encaminhado para o procurador regional eleitoral, Néviton Guedes e, no retorno ao TRE, deve ser encaminhado para julgamento - sem data prevista. ''Tenho esperança que vamos reverter isso. Tudo que fizemos foi dentro da legalidade'', afirmou Ligero. Ele admitiu o aumento na distribuição de passagens, mas negou conotação eleitoral.
Coação
Outra frente aberta pelas eleições em Tuneiras tem natureza criminal. Quatro das testemunhas de acusação procuraram o MP no início do ano e se disseram alvos de coação por parte da Polícia Civil, que abriu inquérito para apurar eventual crime de falso testemunho. Segundo o próprio Ligero, a atuação da polícia atendeu a uma solicitação que ele apresentou ao secretário Estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. ''A gente não concorda com o que está acontecendo e fizemos o pedido ao secretário'', afirmou.
O inquérito conduzido pelo delegado Francisco Caricati - que foi alvo das reclamações - concluiu pela existência de indícios de aliciamento de testemunhas e está nas mãos da promotora eleitoral de Tuneiras, Nadir Emília de Melo. A queixa contra Caricati está sendo averiguada pela Corregedoria da Polícia Civil. À FOLHA, o delegado negou as denúncias.
A promotora Nadir de Melo não se pronunciou ontem sobre o caso. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública afirmou que a Corregedoria instaurou inquérito para apurar eventual abuso de autoridade, mas não comenta o curso das investigações. As suspeitas de compra de votos e de falso testemunho também estão sob apuração da Polícia Federal (PF).


