Eleições e Quadro Negro devem permear debates na AL em 2016
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domingo, 31 de janeiro de 2016
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Depois de um mês e meio de recesso, os deputados retomam os trabalhos na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná na próxima terça-feira, às 14h30. Por se tratar da primeira sessão ordinária do ano, não há ordem do dia. O presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), divulgará a pauta da plenária seguinte apenas no final da tarde. A FOLHA não conseguiu contato com o tucano, para saber o que ele pretende colocar em discussão. É certo, porém, que assuntos como o avanço nas investigações da Operação Quadro Negro, que apura desvio de recursos públicos destinados a obras de escolas estaduais, e a campanha para as eleições municipais de outubro permearão os debates em 2016.
Tadeu Veneri (PT), Requião Filho (PMDB), Ney Leprevost (PSD) e Maria Victoria (PP), por exemplo, são pré-candidatos à sucessão de Gustavo Fruet (PDT) na Prefeitura de Curitiba, e deverão se dividir entre os compromissos na AL e a busca por votos. "Ano eleitoral sempre complica na Assembleia. Alguns começam a se ausentar mais e procuram encurtar os debates. Espero que isso não aconteça. Temos um trabalho muito importante de fiscalização, com novos escândalos, denúncias e delações envolvendo a cúpula do governo Beto Richa (PSDB). Tudo precisa ser apurado e tratado com a máxima transparência", opinou o peemedebista.
Líder da oposição, Veneri também garante foco total no mandato. Segundo ele, a dupla jornada pode trazer apenas algum acréscimo de trabalho. "As coisas não param de acontecer e nós não deixamos de ser deputados. Temos a função de fiscalizar o poder", lembrou. O petista está colhendo assinaturas para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Valor, construtora que tinha contrato com a Secretaria de Estado da Educação (Seed), e citou o fato de uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) ter colocado em dúvida a lisura de 111 intervenções promovidas em colégios do Estado. "Minha dúvida é se essa ação que aconteceu na Seed foi isolada ou se havia um padrão de repetição em outras secretarias e setores", afirmou.
Para instalar a CPI, contudo, ele precisa do apoio de pelo menos 18 dos 54 parlamentares. Hoje, a base aliada a Beto possui 33 membros. Os demais se dividem entre oposicionistas e "independentes". "Eu sei da correlação de forças que temos aqui dentro. Ninguém é ingênuo, mas existe uma necessidade de buscar uma resposta. Deixar longe dos holofotes cria uma aura de esquecimento, como no caso Copel-Olvepar (que teria desviado mais de R$ 84 milhões de verbas em 2002). É um morto-vivo. Não se arquiva, não se define se há culpados, nem se sabe onde está o dinheiro", lamentou. A reportagem tentou ligar para o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), no entanto, ele não atendeu às ligações até o fechamento desta edição.


