Eleições devem movimentar R$ 140 mi no Paraná
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A campanha eleitoral só começa em julho, mas assessores e consultores ligados aos possíveis candidatos já estão trabalhando intensamente desde 2009. A avaliação dos profissionais especializados em campanhas políticas ouvidos pela FOLHA é que 2010 terá uma campanha mais dispendiosa que a de 2006, com muita movimentação dos candidatos no interior do Estado e uso de recursos da internet.
Enquanto em 2006 os candidatos a deputado estadual que se elegeram gastaram, em média, R$ 260 mil (segundo dados da Justiça Eleitoral), a expectativa é que este ano esse valor varie entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. ''Acho difícil que alguém se eleja com menos que isso'', diz um consultor político que não quis se identificar. Para os deputados federais, profissionais que já estão envolvidos nas campanhas dos pré-candidatos ao Congresso estipulam uma média de gastos em torno de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões. ''É provável que os mais votados gastem mais que isso'', completa outro profissional do setor.
Já a campanha para o governo do Estado deve envolver valores ''na casa dos oito dígitos'', adianta o consultor em marketing político Marco Iten. As campanhas para o Senado, porém, devem ser mais modestas, avisa. ''São campanhas com gastos mais periféricos, que ficam mais em cima de outros candidatos a deputado. Dificilmente a campanha ao Senado gasta mais que 10% do orçamento da candidatura ao governo'', analisa Iten.
Com base nesses valores, a conta de quanto dinheiro será movimentado pelos futuros deputados, senadores e o novo governador chega fácil a R$ 140 milhões. Isso sem contar os recursos consumidos por quem não será eleito. Mas nem todo esse dinheiro deverá ser gasto só entre julho e outubro e nem sempre os candidatos prestam contas de todos os recursos que usaram. Muito do trabalho de campanha já está sendo feito.
Enquanto as candidaturas não foram oficializadas pelas convenções dos partidos - o que deve acontecer em junho - a maior parte do trabalho é de bastidor. ''Esse é o momento do candidato planejar a campanha, de consolidar sua capilarização no Estado'', diz Marco Iten.
A meta, diz o consultor, é chegar na campanha com a ''base montada''. Em um estado como o Paraná que tem 399 municípios, o desafio é garantir que a campanha esteja bem representada nas cidades. ''É impossível para o candidato visitar todos os municípios. Ele tem que focar nos locais em que já tem um trabalho construído'', adianta o coordenador de campanha de um pré-candidato ao Congresso.
Por isso a movimentação pelo interior do Paraná deve continuar intensa nos próximos meses. ''Quem deixa esse trabalho para depois, gasta mais na campanha'', prevê Iten. ''É mais fácil para quem já exerce um mandato'', reclama um pré-candidato a deputado federal. Para quem não tem, o trabalho é de conseguir fechar ''alianças com os prefeitos e consolidar a articulação nos municípios''.
Trabalho antecipado
Entre os pré-candidatos, nenhum admite já estar trabalhando na candidatura. Isso porque teme-se que o trabalho de agora seja classificado como campanha antecipada, um crime eleitoral. No entanto, para o advogado especialista em legislação eleitoral, Guilherme Gonçalves, os gastos feitos nesse início de ano são ''de consultoria profissional'' e pagos ''pelo próprio pré-candidato''. ''O que não pode é pedir voto, fazer propaganda da candidatura. Mas esse trabalho de planejamento, de articulação não viola a lei eleitoral'', defende.
Segundo Iten, os partidos pouco se envolvem nessa fase inicial das campanhas. ''Os partidos no Brasil não têm a tradição de estar organizados. É o candidato que tem que fazer todo esse trabalho preliminar'', explica. Isso se deve, diz, à falta de estrutura dos partidos. ''O partido em si é frágil, não tem identidade e praticamente se esconde da população'', avalia.
O trabalho antecipado, defende Gonçalves, também serve para o candidato evitar problemas legais na campanha. ''Hoje é essencial uma boa assessoria jurídica'', recomenda. Para o advogado, quem é mal assessorado pode ''dar com a cara na parede''. ''Se tiver a prestação de contas rejeitada, por exemplo, o candidato não pode ser diplomado'', exemplifica.
A tendência, afirmam os especialistas, é que as campanhas tenham cada vez mais ''organização empresarial''. ''Desde 2004, quando os candidatos passaram a ter que se registrar no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, a campanha tem que agir como uma empresa'', explica Gonçalves.


