Curitiba - Abertas as urnas, o número de vereadores perdidos pelos grandes partidos políticos do Paraná mostrou uma ''vitória dos nanicos'', capitaneada pelas novas legendas criadas no Brasil. Ao eleger 294 vereadores nos pleitos municipais deste ano, por exemplo, o Partido Social Democrático (PSD) foi a surpresa das eleições. A legenda recém-criada ficou em quarto lugar no ranking geral, atrás apenas do PMDB (561), PSDB (441) e PT (348). A sigla lidera um bloco de nove partidos que tiveram um desempenho médio em 2012, conquistando de 150 a 300 cadeiras em câmaras municipais por todo o Paraná.
''No início, o PSD já mostrou musculatura, com a adesão de várias lideranças nacionais. Eram pessoas com credibilidade, que fizeram um trabalho intenso para a consolidação do partido'', relembra o deputado federal Eduardo Sciarra, presidente da legenda no Paraná, sobre o processo de criação da sigla, encabeçado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Mas nem tudo são flores nesse resultado, pois na sua fundação o PSD havia seduzido 464 vereadores no Paraná. Abertas as urnas, o partido encolheu 37% em número de vereadores. Em número de prefeituras, tinha filiado 38 e elegeu 34, também se posicionando atrás somente dos figurões PMDB, PSDB e PT.
A ''desidratação'' foi a regra nessa eleição, com nove das 12 legendas mais bem-sucedidas perdendo vereadores de 2008 até este ano. O PMDB perdeu 190 vereadores, o PDT encolheu 63 e o PTB diminuiu outras 49 cadeiras (veja quadro). O resultado mostra um Paraná mais fragmentado politicamente que quatro anos atrás, pois as perdas foram registradas num ambiente político inflacionado pela mudança eleitoral que possibilitou a abertura de 171 vagas extras nas câmaras municipais. A Emenda Constitucional 58/2008 autorizou a criação de quase 8 mil cadeiras de vereador no Brasil. No Paraná, 349 câmaras aumentaram o número de parlamentares e 50 mantiveram as mesmas vagas de 2008.
PT, PSC, PSB e partidos pequenos ''drenaram'' essas cadeiras perdidas. O partido da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), cresceu 53 cadeiras. O PSC ganhou 58 e o PSB outras 25. Junte a isso o PSD e a expansão do PV, PRB e PHS, por exemplo, que praticamente dobraram de tamanho em quatro anos, para ver a ''migração'' de políticos com mandato representativo para os pequenos partidos políticos. O Partido Pátria Livre (PPL), com 18 vereadores em todo o Paraná, de tendência nacionalista, superou seus colegas de ''esquerda'', como o PCB, PSol e PSTU, ficando logo atrás do PCdoB, que fez 20 vereadores.
''O nosso é um partido jovem, tem pouco mais de três anos, esta foi a primeira vez que nos apresentamos'', disse Mário Bacelar, presidente do PPL no Paraná. Ele atribui a fragmentação ao ambiente político vivido no Brasil nesses últimos anos. ''O país está em efervescência, o governo Lula liberou muita energia e gerou um debate que, sem dúvida, propiciou novas ideias e horizontes'', analisa.

Imagem ilustrativa da imagem Eleições 'desidratam' grandes partidos do PR
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