Há menos de quatro meses para a eleição, o panorama político em Arapongas, município de 85 mil habitantes e que concentra o segundo maior pólo moveleiro do País, volta a ficar conturbado. Surgem críticas e acusações de todos os lados e o clima local, como é bastante comum nos períodos pré-eleitorais, fica mais tenso.
Na última eleição foram registradas agressões entre cabos eleitorais e até a Justiça foi questionada, por iniciar a contagem dos votos apenas no dia seguinte, guardando as urnas num local que os partidários de Pugliesi consideraram suspeito.
Há décadas acontece um revezamento de poder entre dois grupos políticos locais, liderados pelas famílias Pugliesi e Grassano. Waldyr Pugliesi (PMDB) foi prefeito por três mandatos e perdeu a última eleição com seu sobrinho ‘‘Beto’’ Pugliesi, concorrendo com José Aparecido Bisca (PFL), aliado dos Grassano. Antes disso, Colombino Grassano foi prefeito do município em um mandato e seu irmão Antônio Grassano Júnior, em mais dois mandatos.
Pugliesi foi também deputado constituinte, de 86 a 90, e cumpre atualmente seu segundo mandato de deputado estadual. Agora, com o apoio de seu grupo político, tenta voltar mais uma vez à prefeitura.
Nas últimas semanas, num programa de comentários que mantém na Rádio Cultura, da qual detém o controle acionário, Waldyr Pugliesi fez pesadas críticas ao prefeito Bisca. Entre as acusações, ele afirmou que o prefeito abriu uma estrada dentro de sua própria fazenda, construindo ainda uma ponte de concreto.
Também em seu programa radiofônico, o deputado disse várias vezes, recentemente, que havia comentários intimidadores na cidade, dando conta de que nesta eleição haveria mortes em Arapongas.
Ontem, em entrevista à Folha, depois do atentado sofrido, Pugliesi esquivou-se de falar sobre suspeitos ou de acusar qualquer de seus adversários de serem mandantes dos homens armados que invadiram sua casa, supostamente para matá-lo. (M.B.)

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