Curitiba - O deputado estadual Caíto Quintana (PMDB) foi o escolhido da bancada na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná para conversar com o senador Roberto Requião sobre a eleição da nova diretoria do partido, agendada para 15 de dezembro. Quintana irá até a capital federal, levando na mala uma bandeira branca para o ex-governador, de quem foi chefe da Casa Civil.
Três grupos diferentes disputam o comando do PMDB no Paraná. O mais numeroso é o composto pelos deputados estaduais e membros da atual diretoria do partido, que lançaram a chapa ''Unidade Peemedebista'' para evitar uma candidatura de Requião ao governo do Paraná em 2014. Eles temem que esse cenário implique numa redução drástica da legenda na AL, hoje com 11 parlamentares.
Requião tem do seu lado os deputados federais, que sabem do seu desejo de voltar ao Palácio Iguaçu nas próximas eleições majoritárias. ''Estivemos juntos com o presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, que estimulou Requião a sair candidato'', disse para FOLHA o deputado federal João Arruda (PMDB), sobrinho do senador. ''O projeto deles (os deputados estaduais) é uma aliança com o PSDB em 2014'', sentencia Arruda, atualmente na secretaria-geral da sigla.
Antes de Quintana entrar nessa bola dividida, era o deputado federal quem mantinha a conversação aberta entre Brasília e a AL. ''Eu tenho dialogado com o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, com o próprio Caíto Quintana'', confessa Arruda. ''Só não tive conversa com o ex-governador Orlando Pessuti, mas nada impede. A base do partido tem que ser ouvida'', comenta o peemedebista. Nesta semana, Pessuti reuniu-se pela segunda vez com os deputados estaduais em Curitiba, para tratar de uma possível aliança na eleição do PMDB.
A tese defendida pela chapa ''Unidade Peemedebista'' é que a renovação da diretoria da legenda não deve antecipar as eleições de 2014. ''O PMDB vive uma disputa que vai ter impacto nas eleições majoritárias. Não podemos camuflar na renovação da diretoria os nossos princípios. Pelo menos o Requião está jogando limpo. Quer presidir o PMDB para organizar o partido e sair candidato ao governo do Paraná'', diz o deputado federal, para quem vai ser difícil que os políticos consigam a unidade.
Para ele, Requião tem o direito de ''colocar em teste os companheiros de trajetória política, os deputados que se fortaleceram na AL durante o mandato dele no governo''. ''Nós tínhamos unidade antes. Por que isso se desfez? Vamos repetir um projeto que já não deu certo?'', provoca Arruda. As convenções municipais do PMDB terminam no dia 25 de novembro. Daí saem os delegados que escolherão a próxima diretoria.

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