Eleições de 2012 custaram R$ 395 mi
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quarta-feira, 07 de novembro de 2012
Márcio Falcão <br> Folhapress 
Brasília - O custo do voto nas eleições municipais de outubro é o mais baixo desde 1996, quando começou a ser implementado o sistema eletrônico no país. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a despesa total com a disputa nas 5.568 cidades foi de R$ 395,2 milhões, sendo que cada voto representou um gasto de R$ 2,81. O valor individual do voto registrou uma queda de 27% em relação às eleições de 2010. De acordo com a presidente do TSE Cármen Lúcia, essa redução foi provocada especialmente por maior planejamento e diminuição dos gastos com questões de segurança, transporte de urnas e o sistema biométrico.
''Os tribunais regionais foram muito atentos e firmes no sentido de gastar o que era preciso. Nós enxugamos onde pode. Quanto mais se informatiza a tendência é baixar'', disse após se reunir com os presidentes dos tribunais regionais em Brasília para um balanço do pleito. ''É dinheiro público gasto com o essencial, que é a democracia'', completou.
Nas eleições, 401 municípios precisaram de reforço das Forças Armadas no primeiro turno e dois no segundo turno. Isso gerou custo de R$ 24,2 milhões aos cofres públicos, 42% a menos no que foi gasto nas eleições de 2008.
Abstenção
De acordo com os números, no primeiro turno, compareceram 115.807.514 eleitores, ou 84,59% do eleitorado. Foram eleitos 5.518 prefeitos e 57.424 vereadores. No segundo turno, foram às urnas 25.661.378 eleitores, 80,88% do total esperado, para a eleição de 50 prefeitos.
A presidente do TSE avaliou como ''prematura'' a relação entre o aumento da abstenção e a falta de recadastramento do eleitorado. Ela considera que outros fatores, como feriados prolongados e o horário de verão, como influência nesse índice. ''Acho que seria prematuro ter um dado (com relação entre abstenção e recadastramento). Agora, é preciso analisar porque em alguns estados o índice foi maior do que em outro. No segundo turno tem a questão do fuso horário, houve em alguns Estados a comemoração do dia do servidor na sexta-feira ou segunda-feira, o que impõe que alguns viagem e não voltem para votar'', afirmou.
A ministra disse que vai avaliar os números para definir uma ação para mostrar a importância do voto. ''É preciso avaliar todos os dados para a gente saber quais são os critérios que nos levam a tentar entender porque um cidadão brasileiro não quis votar e o que podemos fazer a convidá-lo a exercer esse direito.''
Nas capitais nas quais o TSE fez o recadastramento de eleitores tiveram, em média, o maior percentual de abstenção nas eleições deste ano. Levantamento da reportagem constatou que esse cenário se repetiu tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Na primeira rodada da disputa municipal, a média dos eleitores faltosos que moram em Curitiba, Maceió, Aracaju, Porto Velho e Goiânia, que passaram pelo recadastramento, foi de 9,9%. Nas demais capitais, a média dos faltosos foi de 17,4%. As taxas variaram de 14,6% (Manaus) a 19,9% (Salvador).
No segundo turno, a média de abstenção em Curitiba e Porto Velho, que tiveram recadastramento, atingiu 11,98% - abaixo da média de 19,32% de abstenção das outras 15 capitais em que não houve recadastramento.
Recursos
Cármen Lúcia disse que o tribunal ainda tem 2.000 recursos contra candidaturas para serem julgados. A expectativa é que sejam analisados até a diplomação, que está marcada para 19 de dezembro. ''Se tiver algum caso de delonga, vamos cuidar caso a caso'', afirmou.
Durante as eleições foram apresentados ao TSE 8.667 recursos e já foram julgados cerca de 6.500 mil processos.
Americanos
Cármen Lúcia evitou fazer comparações sobre as eleições nos Estados Unidos e a brasileira. A ministra, no entanto, disse que o modelo brasileiro é exemplo e motivo de atenção em todo mundo.
''Cada povo escolhe (o sistema de votação), é o respeito a diferença de procedimentos adotados. Da nossa parte, um dado que possam achar impressionante é que no primeiro turno, nós tivemos 197 milhões de acesso ao nosso site partindo de 167 países'', disse. ''Isso significa que a eleição brasileira, o nosso modelo, a nossa formulação, é observado por todos os lugares do planeta e temos um bom resultado'', completou.


