Em outubro de 2018, os eleitores voltam às urnas para eleger deputado estadual, deputado federal, senadores (dois por Estado), governador e presidente. Faltando nove meses, o cenário nacional e estadual ainda está aberto e o período é de muita articulação. No Paraná, da ala governista já se lançaram como pré-candidatos a vice-governadora Cida Borghetti (PP) e o deputado estadual Ratinho Junior (PSD). Desponta também nas pesquisas de intenção de voto o ex-senador Osmar Dias (PDT) que entrará na disputa pelo Palácio Iguaçu pela terceira vez. Pelo PPS, o prefeito de Guarapuava (Centro-Sul), César Silvestri Filho, almeja o cargo de governador. Há ainda hipótese do PT, com Dr. Rosinha e até mesmo do senador Roberto Requião (PMDB) entrarem na disputa.
Para o professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro José Bannwart Júnior, as eleições no Paraná têm como característica a polarização. "Por mais que haja candidatos disputando o Palácio do Iguaçu, em boa medida, são oriundos de grupos já conhecidos – sem uma renovação de fato – que se movimentam no tabuleiro político estadual."

A vice-governadora Cida Borghetti terá que demostrar, em pouco tempo, uma marca pessoal
A vice-governadora Cida Borghetti terá que demostrar, em pouco tempo, uma marca pessoal | Foto: Jonas Oliveira/Divulgação



Segundo Bannwart, no caso de Ratinho Júnior, os adversários irão explorar a proximidade de Ratinho e o governador Beto Richa (PSDB) e a falta de experiência do deputado em cargo no Executivo. No caso de Osmar Dias,o professor acredita que ele terá que explicar a proximidade com o PT em 2010, considerando a atual crise do Partido dos Trabalhadores. Outro "embaraço" seria o seu candidato a vice na última disputa ao governo em 2010, o então deputado Rodrigo Rocha Loures. "O famoso deputado da mala."
Contudo, para o analista, Osmar Dias terá como fator preponderante o fato de ser uma liderança consolidada no Paraná e a vantagem de ter disputado duas vezes, sendo "quase eleito em 2006 contra Requião". O professor considera como ponto positivo de Ratinho Junior a experiência em eleições passadas em que obteve recordes de votação. "O que o torna, a exemplo do pai, um bom comunicador com as massas."

O ex-senador Osmar Dias  entrará na disputa pelo Palácio Iguaçu pela terceira vez
O ex-senador Osmar Dias entrará na disputa pelo Palácio Iguaçu pela terceira vez | Foto: Saulo Ohara/22/11/2017



TERCEIRA VIA
No Paraná, a terceira via significaria o surgimento de um novo grupo com força de romper os grupos que se alternam no poder há anos. "Praticamente há dois grupos que se revezam no poder. Ratinho e Osmar são candidatos de segmentos dos grupos que aí estão", comenta. "O que se vê, na verdade, são grupos menores que disputam internamente para alçarem posição destacada dentro dos grupos a que pertencem. Por exemplo: as famílias Barros e Ratinho marcam posição dentro de um mesmo grupo."
O professor da UEL considera que a candidatura da vice-governadora Cida Borghetti terá que demostrar, em pouco tempo, uma marca pessoal. "Terá que trazer algo diferenciado à população e que a coloque além do Beto Richa", afirma.
No Paraná, o analista político prevê pouco espaço para candidatos "outsiders" por conta da configuração tradicional de grupos. "Toda tentativa de surgimento e consolidação de novas lideranças é sempre muita bem vinda para oxigenar a democracia."

O prefeito de Guarapuava, César Silvestri Filho, também se apresenta como pré-candidato
O prefeito de Guarapuava, César Silvestri Filho, também se apresenta como pré-candidato | Foto: Divulgação



SENADO
Na disputa ao Senado as pesquisas colocam como postulantes o governador Beto Richa, o senador Roberto Requião e o procurador da Lava Jato Deltan Dellagnol. Aparecem também nomes como Rubens Bueno (PPS), Gustavo Fruet (PDT), Christiane Yared (PR), Ney Leprevost (PSD) e Alexandre Kireeff (Pode). "É cedo para dizer que Beto e Requião terão céu de brigadeiro na disputa ao Senado. É um cenário possível e razoável, considerando que serão dois ex-governadores", diz Bannwart.
Contudo, o analista não descarta que na disputa pelas duas cadeiras "o novo" tenha espaço. "Basta lembrar a eleição de Flávio Arns e também a do Gustavo Fruet que, em 2010, quase deixou o Requião de fora de uma das vagas ao Senado." Segundo ele, é nesse ambiente que o ex-prefeito de Londrina Alexandre Kireeff poderá ganhar espaço.

O deputado estadual Ratinho Junior (PSD): recordes de votação nas últimas eleições
O deputado estadual Ratinho Junior (PSD): recordes de votação nas últimas eleições | Foto: SEDU/Divulgação



Definição após julgamento
O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segunda instância no chamado processo do tríplex, marcado para o dia 24 de janeiro, será determinante para definição do cenário da corrida presidencial nas eleições de 2018. Essa é a perspectiva do professor de Sociologia e Política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando. "Qualquer prognóstico depende dessa situação."
Segundo o cientista político, Lula tem capital político para chegar ao segundo turno mesmo condenado em primeira instância e sendo réu em outros processos. "Lula conta com esse ‘recall’ principalmente pelo crescimento econômico do país conquistado no seu primeiro mandato (2002-2006) e que permanece na lembrança de grande parte do eleitorado."
Prando ressalta que o antagonismo entre Lula e o deputado Jair Bolsonaro está nos campos dos costumes e ideológicos, o que provoca ressonância nas redes sociais. "Bolsonaro é na retórica um antagonista de Lula porque na economia e na prática tem perfil intervencionista, bem pouco liberal."
O sociólogo acredita que, na hipótese de condenação de Lula, a candidatura de Bolsonaro também enfraquece porque ele representa esse antagonismo, o "anti Lula". Ele lembra também que o partido dos trabalhadores não tem um substituto em caso de um cenário sem Lula. "O plano A, B e C do PT é o Lula, sem ele ou o partido ou se reinventa ou vai naufragar como ocorreu nas eleições municipais (2016)."
Prando lembra que o PSDB também está bastante fragilizado após gravação do senador mineiro Aécio Neves no episódio que foi pego negociando com o ex-presidente da JBS Joesley Batista. Entretanto, apesar da crise tucana, ele acredita que a candidatura de governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, poderá crescer durante o debate eleitoral.

JOGO ABERTO
A partir de fevereiro outras pré-candidaturas poderão ser definidas e ganhar espaço para tentar quebrar a polarização PT x PSDB que se arrasta desde 1994. Ele acredita que há espaço para crescimento de Marina Silva (Rede) e Alvaro Dias (Podemos) e João Amoedo (Novo) e outros candidatos mais ao centro. "Esses nomes, mesmo com estrutura partidária menor, podem se colocar para engrandecer e melhorar o debate. O tabuleiro está muito aberto". (G.M.)

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