ELEIÇÕES 2018 - Janeiro começa com cenário ainda aberto
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 
Em outubro de 2018, os eleitores voltam às urnas para eleger deputado estadual, deputado federal, senadores (dois por Estado), governador e presidente. Faltando nove meses, o cenário nacional e estadual ainda está aberto e o período é de muita articulação. No Paraná, da ala governista já se lançaram como pré-candidatos a vice-governadora Cida Borghetti (PP) e o deputado estadual Ratinho Junior (PSD). Desponta também nas pesquisas de intenção de voto o ex-senador Osmar Dias (PDT) que entrará na disputa pelo Palácio Iguaçu pela terceira vez. Pelo PPS, o prefeito de Guarapuava (Centro-Sul), César Silvestri Filho, almeja o cargo de governador. Há ainda hipótese do PT, com Dr. Rosinha e até mesmo do senador Roberto Requião (PMDB) entrarem na disputa.
Para o professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro José Bannwart Júnior, as eleições no Paraná têm como característica a polarização. "Por mais que haja candidatos disputando o Palácio do Iguaçu, em boa medida, são oriundos de grupos já conhecidos sem uma renovação de fato que se movimentam no tabuleiro político estadual."

Segundo Bannwart, no caso de Ratinho Júnior, os adversários irão explorar a proximidade de Ratinho e o governador Beto Richa (PSDB) e a falta de experiência do deputado em cargo no Executivo. No caso de Osmar Dias,o professor acredita que ele terá que explicar a proximidade com o PT em 2010, considerando a atual crise do Partido dos Trabalhadores. Outro "embaraço" seria o seu candidato a vice na última disputa ao governo em 2010, o então deputado Rodrigo Rocha Loures. "O famoso deputado da mala."
Contudo, para o analista, Osmar Dias terá como fator preponderante o fato de ser uma liderança consolidada no Paraná e a vantagem de ter disputado duas vezes, sendo "quase eleito em 2006 contra Requião". O professor considera como ponto positivo de Ratinho Junior a experiência em eleições passadas em que obteve recordes de votação. "O que o torna, a exemplo do pai, um bom comunicador com as massas."

TERCEIRA VIA
No Paraná, a terceira via significaria o surgimento de um novo grupo com força de romper os grupos que se alternam no poder há anos. "Praticamente há dois grupos que se revezam no poder. Ratinho e Osmar são candidatos de segmentos dos grupos que aí estão", comenta. "O que se vê, na verdade, são grupos menores que disputam internamente para alçarem posição destacada dentro dos grupos a que pertencem. Por exemplo: as famílias Barros e Ratinho marcam posição dentro de um mesmo grupo."
O professor da UEL considera que a candidatura da vice-governadora Cida Borghetti terá que demostrar, em pouco tempo, uma marca pessoal. "Terá que trazer algo diferenciado à população e que a coloque além do Beto Richa", afirma.
No Paraná, o analista político prevê pouco espaço para candidatos "outsiders" por conta da configuração tradicional de grupos. "Toda tentativa de surgimento e consolidação de novas lideranças é sempre muita bem vinda para oxigenar a democracia."

SENADO
Na disputa ao Senado as pesquisas colocam como postulantes o governador Beto Richa, o senador Roberto Requião e o procurador da Lava Jato Deltan Dellagnol. Aparecem também nomes como Rubens Bueno (PPS), Gustavo Fruet (PDT), Christiane Yared (PR), Ney Leprevost (PSD) e Alexandre Kireeff (Pode). "É cedo para dizer que Beto e Requião terão céu de brigadeiro na disputa ao Senado. É um cenário possível e razoável, considerando que serão dois ex-governadores", diz Bannwart.
Contudo, o analista não descarta que na disputa pelas duas cadeiras "o novo" tenha espaço. "Basta lembrar a eleição de Flávio Arns e também a do Gustavo Fruet que, em 2010, quase deixou o Requião de fora de uma das vagas ao Senado." Segundo ele, é nesse ambiente que o ex-prefeito de Londrina Alexandre Kireeff poderá ganhar espaço.

Definição após julgamento
O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segunda instância no chamado processo do tríplex, marcado para o dia 24 de janeiro, será determinante para definição do cenário da corrida presidencial nas eleições de 2018. Essa é a perspectiva do professor de Sociologia e Política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando. "Qualquer prognóstico depende dessa situação."
Segundo o cientista político, Lula tem capital político para chegar ao segundo turno mesmo condenado em primeira instância e sendo réu em outros processos. "Lula conta com esse recall principalmente pelo crescimento econômico do país conquistado no seu primeiro mandato (2002-2006) e que permanece na lembrança de grande parte do eleitorado."
Prando ressalta que o antagonismo entre Lula e o deputado Jair Bolsonaro está nos campos dos costumes e ideológicos, o que provoca ressonância nas redes sociais. "Bolsonaro é na retórica um antagonista de Lula porque na economia e na prática tem perfil intervencionista, bem pouco liberal."
O sociólogo acredita que, na hipótese de condenação de Lula, a candidatura de Bolsonaro também enfraquece porque ele representa esse antagonismo, o "anti Lula". Ele lembra também que o partido dos trabalhadores não tem um substituto em caso de um cenário sem Lula. "O plano A, B e C do PT é o Lula, sem ele ou o partido ou se reinventa ou vai naufragar como ocorreu nas eleições municipais (2016)."
Prando lembra que o PSDB também está bastante fragilizado após gravação do senador mineiro Aécio Neves no episódio que foi pego negociando com o ex-presidente da JBS Joesley Batista. Entretanto, apesar da crise tucana, ele acredita que a candidatura de governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, poderá crescer durante o debate eleitoral.
JOGO ABERTO
A partir de fevereiro outras pré-candidaturas poderão ser definidas e ganhar espaço para tentar quebrar a polarização PT x PSDB que se arrasta desde 1994. Ele acredita que há espaço para crescimento de Marina Silva (Rede) e Alvaro Dias (Podemos) e João Amoedo (Novo) e outros candidatos mais ao centro. "Esses nomes, mesmo com estrutura partidária menor, podem se colocar para engrandecer e melhorar o debate. O tabuleiro está muito aberto". (G.M.)


