ELEIÇÕES 2014 - Política no PR 'ainda é negócio de família'
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domingo, 02 de fevereiro de 2014
Mariana Franco Ramos<BR>Reportagem Local 
Curitiba - O sociológico e cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirmou que a taxa de renovação na Assembleia Legislativa (AL) do Estado deve se manter próxima de 50% no pleito de 2014, "dependendo dos escândalos e da inclusão dos suplentes". A eleição de novos nomes, porém, não significa necessariamente mudança no espectro, já que muitos dos concorrentes são "herdeiros políticos", isto é, parentes de parlamentares e ex-parlamentares já com história na Casa.
"Nós temos um campo político consolidado no Brasil. Ser parlamentar é uma atividade muito especializada, envolve o acúmulo de capitais políticos, uma grande rede de contatos e, principalmente, ter muito dinheiro", avaliou.
Além dos três deputados estaduais hoje com mandato que abrirão mão em favor dos filhos - Rose Litro (PSDB) e Toninho Wandscheer (PT) - ou do pai - Hermas Brandão Jr. (PSB) -, pelo menos cinco novos casos de "hereditariedade" poderão ser verificados na AL a partir do próximo ano. Segundo Oliveira, com raras exceções, o quadro é semelhante ao verificado na maioria das unidades da federação.
Luiz Renato Hauly (PSDB), 23, filho do deputado federal e ex-secretário de Estado da Fazenda Luiz Carlos Hauly (PSDB); Felipe Francischini (SDD), 22, filho do deputado federal Fernando Francischini (SDD); Thiago Amaral, 26, filho do conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado estadual Durval Amaral; Maria Victória Borghetti Barros, 22, filha da deputada federal Cida Borghetti (PROS) e do secretário de Estado da Indústria e Comércio Ricardo Barros (PP); e Bruno Pessuti (PSC), 29, filho do ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), já se apresentam como pré-candidatos a uma vaga no Legislativo.
"Não é uma passagem; é uma conquista eleitoral dificílima, o pior vestibular que se possa imaginar. Precisa ter carisma, presença e conhecimento. E o Luiz (Renato) tem todas as qualidades, porque vivencia o ambiente político desde criança", argumentou Hauly. "Acredito que, como acontece com engenheiros, médicos e profissionais liberais, é normal o filho querer seguir a profissão do pai. Dentro da nossa casa, vivemos política 24 horas por dia", complementou Fernando Francischini.
O cientista político, no entanto, vê prejuízos nesse cenário, que costuma se repetir a cada eleição. "Em primeiro lugar, trata-se de uma oligarquia, com poucas famílias se revezando no poder; em segundo, há falta de representatividade de vários segmentos sociais, como a classe trabalhadora, as mulheres, os negros e pardos", disse. Para ele, "política no Paraná ainda é negócio de família". "E enquanto continuarem as regras, a correlação de forças e a desigualdade na sociedade, essa estrutura tende a continuar."


