ELEIÇÕES 2014 - 'Nanicos' buscam contornar pouco tempo de televisão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os chamados "candidatos nanicos" pretendem usar o diálogo franco, "sem rodeios", para compensar o pouco tempo de que dispõem no rádio e na televisão. "Ao invés de passar meia hora de caminhões com colheitas de soja, a gente vai fazer tanto a denúncia dos problemas como mostrar uma alternativa política", disse o estudante de cinema Guilherme Daldin, responsável pela campanha de Bernardo Pilotto (PSOL).
Legendas de esquerda, PSOL e PSTU enfatizam o fato de não utilizarem dinheiro de banqueiros, latifundiários ou empreiteiras, motivo pelo qual não possuem marqueteiros profissionais. "A conjuntura é complicada, mas a ideia é mostrar que existe outra política, feita de forma diferente. E o nosso objetivo não acaba nas urnas. Queremos fazer um convite para que as pessoas façam parte da política independentemente das eleições, através dos instrumentos de organização", completou Daldin.
O coordenador geral de campanha de Rodrigo Tomazini (PSTU), Marcello Locatelli Barbato, falou que a militância do partido será responsável pela condução dos programas no horário eleitoral gratuito. "Sabemos que vai ser bastante difícil. Não temos o mesmo espaço por conta da lógica do sistema eleitoral. As principais emissoras levam aos debates aqueles que já estão no parlamento. Isso está errado, mas dentro dessa dificuldade queremos ocupar todos os espaços possíveis, inclusive na imprensa, para representar os interesses da classe trabalhadora."
O jornalista e publicitário Pedro Rodrigues Neto, coordenador de marketing de Tulio Bandeira (PTC), contou que sua estratégia será elaborada em cima de "relacionamento", tanto na campanha de rua, como na internet. "Vamos tratar das questões com mais veracidade e menos enfeite. Não adianta descer com um helicóptero numa região e dizer eu vou arrumar as estradas. Temos de perguntar: tem solução ou não tem solução? Qual o caminho?."
A principal mensagem que ele pretende passar é a de que "o Estado não dá conta de fazer tudo". "Não podemos mais colocar o Estado como provedor paternalista. Precisamos desinchar a máquina pública e buscar soluções junto à sociedade e à iniciativa privada para que tenhamos os avanços necessários."
Já Rubens Vaz Moreira, que responde pela comunicação de Geonísio Marinho (PRTB), dará ênfase às ações nas redes sociais e na utilização de outras ferramentas da web. Ele pretende produzir filmes diários com as principais propostas do candidato para veiculação em um canal do Youtube. Entre as questões que serão levantadas estão a privatização dos presídios estaduais, a defesa da redução da maioridade penal e a prisão perpétua para crimes hediondos. Em entrevista por e-mail, Moreira disse ainda que as vantagens de Marinho em relação aos demais candidatos são possuir "rejeição próximo a zero" e "governança com o coração voltado aos menos favorecidos".
Encarregada de conduzir as ações de comunicação de Ogier Buchi (PRP), a jornalista Ruth Bolognese também pretende usar uma linguagem mais direta para compensar o tempo mais escasso. "Ele tem 55 segundos no horário gratuito. O que a gente vai tentar estabelecer então é que a mensagem seja rápida. O norte ainda não está definido, mas em termos gerais é mostrar que a política hoje não conta a verdade." Segundo ela, para isso, Buchi está estudando linha por linha do orçamento público. "Quando o cara disser que vai fazer uma rodovia até o porto, ele poderá dizer: então coloca dentro do orçamento".
Em relação à proximidade do plano de governo do candidato com o atual governador, sobretudo na questão dos empréstimos, ela justificou que o PRP e o PSDB são aliados. "Ele não pode fugir muito disso. E é claro que vai reclamar que não tem dinheiro, porque o Paraná nunca teve da União um retorno comparável com o que manda." Ruth também adiantou que o apresentador de televisão pode usar um tom mais crítico. "Ele tem na biografia, na história, a polêmica como característica principal. Acho que vai cobrar sim, mas a crítica não se estende a um ou outro candidato. Pode incluir também o Beto."


