A partir de hoje, o leitor da FOLHA vai acompanhar uma série de entrevistas com os oito candidatos ao Senado pelo Paraná. Os temas das perguntas foram definidos pela equipe de Política da FOLHA e têm relação com o trabalho de um parlamentar em Brasília e com assuntos que renderam polêmica nos últimos meses no Congresso Nacional. As mesmas perguntas foram feitas para todos os candidatos, por telefone ou pessoalmente. Nenhum deles pôde previamente saber quais temas seriam tratados. Aos candidatos, foi solicitado que fossem objetivos em suas respostas. Algumas respostas foram reduzidas para adequação ao espaço disponível - possibilidade informada aos próprios candidatos antes do início das entrevistas. A série será publicada em seis edições, nos dias 12, 13, 14,19, 20 e 21 deste mês.
A primeira questão dirigida aos oito foi sobre a manutenção de dois suplentes eleitos na mesma chapa do senador. O primeiro assume caso o senador tenha de se afastar para ocupar outro cargo, venha a óbito ou seja cassado. O segundo assume quando o primeiro suplente também se afasta. O sistema é diferente das Assembleias Legislativas e da Câmara Federal, onde a suplência é ocupada com base na contagem de votos.
Entretanto, o método do Senado é criticado porque, em alguns casos, a suplência é dada a financiadores de campanha ou a parentes dos políticos, na aposta de que o senador assuma outra função e deixe o espaço livre para seus apaniguados. Por isso, existem discussões sobre a diminuição ou fim dos suplentes e a proibição do nepotismo nestes casos.

Dentro dos temas da reforma política, é debatida a possibilidade do fim dos suplentes ao Senado. O senhor é favorável ou contra?


Candidato: Adilson dos Santos Silva (PRTB)
Nome de urna: Adilson Senador da Família
Idade: 39 anos
Domicílio eleitoral: Ibiporã

Sou contra o fim dos suplentes. Eles são necessários. E se o senador falecer? Quem vai assumir? O segundo mais votado? Então, sou a favor de ter um suplente, é o suficiente.





Candidato: Alvaro Fernandes Dias (PSDB)
Nome de urna: Alvaro Dias
Idade: 69 anos
Domicílio eleitoral: Londrina

Eu sou favorável ao fim dos suplentes. Eu creio que a alternativa, com o fim dos suplentes, um senador não poderia ser convocado para um ministério, teria de concluir seu mandato. E, se houvesse a vacância do cargo por morte ou renúncia, o cargo seria preenchido na primeira eleição que houvesse. Então, o cargo não ficaria disponível por muito tempo, já que temos eleição de dois em dois anos.




Candidato: Evandro José Castagna (PSTU)
Nome de urna: Castagna
Idade: 38 anos
Domicílio eleitoral: Cascavel

Para nós, a discussão da suplência no Senado é ultrassecundária na discussão da reforma política. Mas não vejo problema nisso (existência dos suplentes), porque tem a ver também com o seguinte: caso ocorra algo com o senador, é importante que a pessoa que o substitua, defenda o mesmo projeto, o mesmo programa. O que sou contra: quando se faz aliança entre partidos sem critérios ideológicos, mas critérios de interesses econômicos, financeiros, em que se colocam pessoas completamente distintas. A gente vê cada aliança absurda que se desenha no processo eleitoral, partidos que se dizem de convicções completamente contraditórias se aliando no processo eleitoral com finalidade unicamente de eleger seus parlamentares a qualquer custo. Essa é nossa grande questão.




Candidato: Luiz Antonio Bárbara (PTC)
Nome de urna: Luiz Bárbara
Idade: 52 anos
Domicílio eleitoral: Londrina

Na verdade, eu sou contra o suplente ao senado, mesmo porque o eleitor acaba votando para uma pessoa e, de repente, uma outra que não tem nenhuma representatividade da comunidade assume essa responsabilidade.




Candidato: Luiz Romeiro Piva (Psol)
Nome de urna: Professor Piva
Idade: 51 anos
Domicílio eleitoral: Almirante Tamandaré

Sou favorável ao fim dos suplentes do Senado e mais que isso: inclusive a discutir o fim do próprio Senado e a adoção de um modelo unicameral.




Candidato: Marcelo Beltrão de Almeida (PMDB)
Nome de urna: Marcelo Almeida
Idade: 47 anos
Domicílio eleitoral: Curitiba

Eu sou favorável porque acho que tem de haver dois pesos e medidas. Por que sou suplente do André Vargas (na Câmara Federal)? Porque fiquei na coligação como primeiro suplente, mas eu fui atrás de votos, eu fui para cima. Acho que tinha de acabar a suplência porque há a percepção no país de que quem paga a campanha do senador é o suplente e, em algum momento, o suplente assume para resolver seus problemas empresariais e, em seguida, volta o homem político. Deveria entrar o segundo colocado (nas urnas).





Candidato: Mauri Viana Pereira (PRP)
Nome de urna: Mauri Viana
Idade: 50 anos
Domicílio eleitoral: Londrina

Sou favorável (à manutenção dos suplentes). Se tem um suplente e ele é do partido, o mandato é do partido, não é? O que não pode é ser filho do candidato, irmão, padrinho, milionário para bancar a campanha. Aí fica esquisito. Você tem uma lei que é cega, mas os caras começam a colocar viseira. Se dentro da convenção do partido, quando é discutida a candidatura, tem quatro ou cinco que querem ser candidatos, dois topam ser suplentes. O problema é que as pessoas burlam a lei, que precisa ser emendada, para que não aconteça de o filho do senador ser o suplente dele. Ou ter um banqueiro como seu suplente. Nós temos candidatos que têm esse costume.




Candidato: Ricardo Crachineski Gomyde (PCdoB)
Nome de urna: Ricardo Gomyde
Idade: 44 anos
Domicílio eleitoral: Curitiba

É uma discussão... teria de pensar melhor. Fim do suplente... é uma possibilidade, não tenho posição concreta.

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