Desde ontem, o leitor da FOLHA acompanha uma série de entrevistas com os oito candidatos ao Senado pelo Paraná. Os temas das perguntas foram definidos pela equipe de Política da FOLHA e têm relação com o trabalho de um parlamentar em Brasília e com assuntos que renderam polêmica nos últimos meses no Congresso Nacional. As mesmas perguntas foram feitas para todos os candidatos, por telefone ou pessoalmente. Nenhum deles pôde previamente saber quais temas seriam tratados. Aos candidatos, foi solicitado que fossem objetivos em suas respostas. Algumas respostas foram reduzidas para adequação ao espaço disponível - possibilidade informada aos próprios candidatos antes do início das entrevistas. A publicação da série continua amanhã e sexta-feira e nos dias 19, 20 e 21 deste mês.

Hoje, os candidatos respondem sobre o financiamento das campanhas eleitorais brasileiras, assunto em pauta dentro da pretensa reforma política. Hoje, são bancadas de forma mista: parte por dinheiro público, via fundo partidário, e por verbas doadas por empresas ou pessoas físicas. Os críticos do sistema afirmam que isso torna as campanhas desiguais: os maiores partidos ou os candidatos mais conhecidos obtêm mais doações de empresas que os chamados nanicos, além de abrir possibilidade de atrelamento de homens públicos com grupos empresariais.

Os defensores do financiamento público argumentam que as campanhas seriam mais equilibradas. Também acreditam que diminuiria a corrupção. Por outro lado, seriam necessários mecanismos que impeçam o desvirtuamento dos recursos para outras finalidades.

A campanha eleitoral no Brasil é considerada cara. De que forma é possível resolver isso? O senhor é a favor do financiamento público de campanha?

Adilson Senador da Família (PRTB)
Se resolve com uma reforma política e com a campanha sendo pública, tendo financiamento de campanha em pé de igualdade.
Sou a favor do financiamento público, porque todas as pessoas que postulam um cargo teriam chance de se candidatar e a campanha não seria tão desleal a favor de quem tem patrocínio de grandes empresários. Além disso, diminuiria a questão da corrupção no Brasil.

Alvaro Dias (PSDB)
É cara para alguns e nem tanto para outros. Mas se nós tivermos partidos políticos verdadeiros - hoje não temos, temos siglas para registro de candidaturas -, quando construirmos partidos de verdade, nós poderemos ter o financiamento público de campanha. Hoje é inviável porque temos verdadeiras arapucas ao invés de partidos políticos.

Eu sou favorável ao financiamento público. Fui relator no Senado, em 99, do projeto que instituía o financiamento público em campanha. No entanto, no quadro atual, eu não ousaria votar favoravelmente, porque há uma promiscuidade partidária que tem de ser superada com a reforma política. Portanto, financiamento público de campanha só é viável no contexto de uma reforma política ampla.

Castagna (PSTU)
A gente acha que a campanha eleitoral precisa ter valor fixo para cada candidato e que dê condições para que todos possam produzir seus panfletos, seus materiais, e também possam, de fato, utilizar o tempo de tevê, os mesmos espaços, que os jornais falados e impressos deem o mesmo tempo, a mesma condição para apresentação dos programas. Um valor fixo e igual para todo mundo.

A gente acha que o financiamento público de campanha é central. Não significa que o financiamento público vá acabar com a corrupção, que vá resolver os problemas centrais do sistema capitalista que consideramos emergenciais de serem resolvidos, mas o financiamento público vai criar condições para que as multinacionais, os bancos, as empreiteiras, os acionistas da dívida pública e o grande capital deixem de influenciar financeiramente no processo.

Luiz Barbara (PTC)
Primeiramente, acredito que a campanha deveria ter a parte financeira gestionada pela própria Justiça Eleitoral. Uma vez que o governo não faz isso, a gente busca parceiros para que possamos viabilizar a campanha, seja ela para deputado, a governador e mesmo senador.
Sou a favor do financiamento público, claro. Acredito que deixa todos em pé de igualdade. Por exemplo: eu venho de uma classe, represento um segmento que não tem muito recurso financeiro para fazer. Mas a gente busca conhecimento, temos contato com pessoas, empresas, e buscamos esse favorecimento para conseguir viabilizar a campanha de senador.

Professor Piva (Psol)
Só tem um caminho: numa reforma política radical, adotar o financiamento público de campanha. Neste modelo que aí está é um absurdo, é um chamariz para a corrupção. Na verdade, os financiamentos de campanha são verdadeiros investimentos. Então, temos de acabar com esse modelo que temos hoje no país.
Sou a favor do financiamento público como único caminho para a gente debelar esse mal que é a corrupção, cuja raiz está nos financiamentos de campanhas políticas.

Mauri Viana (PRP)
Primeiro, acho que não tem espaço público, a não ser o horário eleitoral gratuito, para os candidatos fazerem campanha. O problema é que esse espaço público é dado para os partidos grandes e daí tem uma disparidade, sem tempo igual para todo mundo. Ou seja, há privilégios. Sobre a questão gráfica, tem que pagar, não tem como não ter gasto. Mas a campanha não é muito cara. Quem fala isso é porque tem aí os companheiros que acabam cobrando. Mas eu tenho apoios espontâneos (de lideranças políticas), que não custam nada. A campanha não é cara. Por exemplo: Eu tenho 47 segundos de televisão. Vou usar 30 segundos e os 17 segundos restantes vou remeter as pessoas para o Youtube, para aumentar o meu tempo. Então, tem que trabalhar com inteligência.
Sou a favor do financiamento público, mas precisaria avançar muito para isso ainda. Precisaria tirar a judicialização das campanhas eleitorais. A Justiça se intromete demais, fazendo resoluções demais. Enfim, se houvesse a campanha com financiamento público, porém, da maneira como está, vai ter problema. Vai ter malandro que vai ser candidato só para pegar o dinheiro e não vai dar resposta. O Brasil é composto de gente com mentalidade muito fértil. Enquanto não chegamos a esse amadurecimento... temos de caminhar para isso, mas com amadurecimento.

Marcelo Almeida (PMDB)
Eu, particularmente, acho que deveria ter uma reforma política em relação à campanha, tinha de adotar um modelo bem claro e lógico. Primeiro vamos comparar o Estado do Acre com São Paulo. É claro que não dá para gastar no Acre o que gasta em São Paulo por causa da densidade populacional. Acho que o jogo justo, para todos terem o mesmo instrumento para pedir o voto justo, era adotar um teto máximo. O grupo CR Almeida e uma banca que vende banana, uma lavanderia ou uma loja de DVDs poderiam doar, no máximo, R$ 7 mil. Então, tem de haver um número para a pessoa jurídica dar a um candidato. A pessoa física, a mesma coisa. É um meio de não ter grandes grupos empresariais, que são os empreiteiros e os banqueiros, por trás das eleições.
Eu sou a favor do financiamento público. Acho que precisamos mudar o modelo. Pode ser que não seja o melhor, mas melhor do que está aí, é. Vai deixar a campanha mais barata. Pode haver uma dificuldade de falar para o povo que vai ser com dinheiro deles que vamos fazer a campanha mas é uma maneira de livrar, deixar todos iguais. Vamos ver quem tem ideologia, quem de fato estudou, é estadista.

Ricardo Gomyde (PCdoB)
Se resolve com o financiamento público de campanha, com a proibição da contribuição privada e a punição rigorosa no caso de haver caixa dois.
Sou 100% a favor do financiamento público, porque homogeniza as campanhas e impede o abuso de poder econômico e traz transparência para a questão do financiamento eleitoral.

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