ELEIÇÕES 2006 Quase 60% dos deputados federais devem se reeleger
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sábado, 23 de setembro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar das denúncias feitas contra deputados federais envolvidos em corrupção e recebimento de propina para apresentação e aprovação de emendas parlamentares, mais de 300 dos atuais 513 deputados federais deverão se reeleger. De acordo com os dados divulgados em uma pesquisa de opinião feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) e pelo Congresso em Foco, 59% dos integrantes da Câmara Federal têm grandes possibilidades de se reeleger.
Muitos deles estão envolvidos nos escândalos divulgados pela imprensa. Este é o caso do deputado federal Íris Simões (PTB), denunciado na chamada ''máfia dos sanguessugas'' como sendo o único parlamentar paranaense com mandato que estava envolvido na compra irregular de ambulâncias com verbas do governo federal em licitações fraudulentas e direcionadas nos municípios.
A pesquisa demonstra ainda que o PMDB, o PT, o PSDB e o PFL permanecerão com as maiores bancadas em Brasília. Entre os partidos médios, o PSB deverá crescer. Entre os nanicos, o PMN e o PTC deverão surpreender. No Paraná, deverão permanecer nos cargos 63,65% dos atuais parlamentares.
Entre as saídas dadas como certas estão as dos deputados federais José Janene (PP) e Airton Roveda (PPS). Janene foi procurado pela Folha e admitiu que não é candidato. Segundo ele, por motivos de saúde. Janene foi acusado de ser o operador do chamado ''mensalão'' no Congresso Nacional.
Esta semana, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) encontraram simulacros de urna eletrônica na fazenda de propriedade do parlamentar. ''Estou em estado grave, em licença médica, não poderia fazer campanha'', justificou ele. Roveda foi procurado ontem e não foi encontrado.
Em alguns casos, estão previstos retornos de políticos no cenário federal. Estes seriam os casos de Luciano Pizzato (ex-deputado federal, do PFL), Emília Belinati (ex-governadora, PFL), Alceni Guerra (ex-deputado federal, do PFL) e Irineu Rodrigues (ex-deputado federal, do PPS). A pesquisa do DIAP teve como base indicações de políticos, assessores, jornalistas, cientistas políticos, pesquisadores e especialistas na área. Os dados foram confrontados com resultados de pesquisas espontâneas de intenção de voto. Com base nestes dados, foi montada uma planilha das tendências de composição da Câmara Federal e dos chamados campeões de votos.
A tendência no Paraná é a de que a Coligação Paraná Unido (PT/PHS/PL/PAN/PRB/PCdoB) faça a maior bancada em Brasília, elegendo entre sete e oito deputados federais; a Coligação Paraná Forte (PMDB/PSC) deverá eleger entre sete e oito parlamentares; a Coligação Voto Limpo (PPS/PFL) poderá conseguir a vitória de seis a sete deputados federais; e a Coligação Paraná de Verdade (PDT/PP/PTB/PSB) entre seis e sete parlamentares; já o PSDB poderá eleger entre três e quatro. Se for dividido por partidos, o PMDB terá a maior bancada.


