São Paulo - Um vai percorrer os maiores colégios eleitorais, em tom ofensivo. O outro também vai para a linha de frente, mas para se defender e evitar a todo custo perder votos. Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República, ainda aposta no abalo político causado pelo dossiê Vedoin e no corpo-a-corpo em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para tirar votos preciosos do PT, que lhe garantiriam sobrevida para brigar num segundo turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, decidiu afastar intermediários, dar entrevistas à TV e tentar liquidar a fatura no dia 1º.
O presidente vai fazer pessoalmente na TV a defesa de seu governo. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a exibição do próprio Lula é o melhor antídoto contra o desgaste provocado pelo escândalo do dossiê. Foi com esse espírito que o presidente concedeu entrevista de 20 minutos ao jornal ''Bom Dia Brasil'', da ''TV Globo'', na última quinta-feira. 'É com esse mesmo ânimo que ele concederá uma ou mais entrevistas no início da semana, caso surja nova denúncia. Na próxima quarta-feira (27), ele falará à ''TV Record.''
Nos cinco dias de campanha que restam, Lula vai concentrar suas atividades no Sul e no Sudeste. Fará comício hoje em Sorocaba, e amanhã, em Porto Alegre. Na quarta-feira pretende permanecer em Brasília. Na quinta, mais pelo ponto de vista simbólico, encerrará a campanha com comício em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, onde mora e iniciou sua carreira sindical e política.
Nos programas eleitorais que serão levados ao ar na terça e quinta-feiras, Lula pretende concentrar o discurso na distribuição de renda pelo Bolsa-Família, dizer que pretende construir dezenas de escolas técnicas e ampliar vagas nas universidades. Fará comparações com o governo de Fernando Henrique Cardoso e dirá que ampliou as exportações, reduzido o risco Brasil e a dívida externa.
Debate - O PSDB preparou agenda focada nos três principais colégios eleitorais. Na tentativa de levar o tucano ao segundo turno, a idéia é concentrar as atividades em caminhadas na região Sudeste, entrevistas e preparação para o debate da ''TV Globo'', na quinta-feira.
''A importância que São Paulo tem dispensa explicações. Em relação a Minas, as atividades têm de prosseguir porque estamos crescendo, de maneira sustentada e permanente. Como tudo indica que ainda há espaço para crescer, estaremos presentes'', avisou o coordenador-geral da campanha tucana, senador Sérgio Guerra (PE).
Sobre as atividades no Rio de Janeiro, o coordenador aponta duas razões: Alckmin tem crescido no Estado, principalmente na capital, e quer pegar carona no desempenho da aliada Denise Frossard (PPS). ''A Denise vai para o segundo turno e isso é fundamental para nós'', diz.
A presença em São Paulo também é estratégica. Além do importante eleitorado, o tucano precisa gravar os últimos dois programas para o horário eleitoral. Confiantes de que o ex-governador tem chance de ir para o segundo turno com Lula, ainda que as pesquisas apontem tendência de o petista vencer a corrida ao Planalto no 1º turno, os tucanos também apostam suas fichas no debate da ''Globo'', emissora líder de audiência no País.
Na programação elaborada para a campanha para a reta final, estão previstas ainda agendas com o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, pelo menos em dois dias da semana.

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