São Paulo - O debate da rede Globo foi o mais tenso entre os quatro confrontos promovidos por TVs com os dois presidenciáveis. A emissora abriu espaço para que eleitores indecisos fizessem perguntas para os candidatos. O objetivo do formato era evitar o confronto direto e estimular a discussão de propostas, dando liberdade para os candidatos se movimentarem por um tablado circular e se dirigirem aos eleitores. Ambos, no entanto, mantiveram o confronto em alto nível de tensão, com muitas ironias e trocas de acusações.
A estratégia de Lula foi mostrar que estava inteirado dos números de sua administração e da gestão anterior e indicando que seu adversário não sabia do que falava. O candidato à reeleição chegou ao detalhe de citar o número da página de um livro para sustentar um argumento.
O tucano, por sua vez, insistiu na tecla de que a situação geral poderia melhorar e que faltou ao governo empenho ou competência. Quando o tema de corrupção foi abordado, participou do momento mais tenso do debate, quando se dirigiu ao adversário e começou a listar os escândalos ocorridos na gestão do petista. ''Como é que pode não saber o que se passou na sala ao lado'', questionou Alckmin.
Lula não perdeu a calma. ''Nós resolvemos combater a corrupção, nós não jogamos para debaixo do tapete'', rebateu. A tensão chegou em seu ápice no quarto e último bloco, quando os candidatos finalmente puderam dirigir perguntas um ao outro.
Nesse momento, Alckmin chegou até a insinuar que o PCC (Primeiro Comando da Capital) teria ligações com o PT. ''O PCC não é ligado ao meu partido, não'', afirmou. ''A perfeição da polícia de São Paulo resultou no PCC'', alfinetou Lula.
A corrupção foi o tema que predominou no terceiro e no último bloco do debate. O assunto também foi responsável pelos momentos mais nervosos do confronto. Os candidatos, especialmente Lula, tentaram aproveitar o formato para fazer perguntas cara a cara e bem próximos um do outro.
Alckmin não perdeu a chance de citar o número de dias em que ainda é desconhecida a origem do dinheiro do ''dossiegate''. O tucano se dirigiu para Lula e começou a desfiar as denúncias contra o governo. ''Como é que pode não saber o quê se passou na sala ao lado'', disse ele, olhando para o petista.
Lula não perdeu o sangue-frio e rebateu com uma resposta provavelmente já ensaiada. Citou um livro do procurador Cláudio Fontelli, inclusive com o número da página, para sustentar sua argumentação de que no governo dele a corrupção foi mais investigada. ''Nós resolvemos combater a corrupção, nós não jogamos para debaixo do tapete'', afirmou Lula.
O assunto voltou à tona quando Lula, de forma sarcástica, questionou Alckmin sobre de onde ele tiraria dinheiro para os investimentos que propõe para melhorar a segurança no país.
Alckmin não aliviou. Respondeu em tom ainda mais irônico: ''Eu pensei que ele fosse explicar para você (telespectador) de onde vem o dinheiro para o dossiê''. Ao responder, o presidente aproveitou para mencionar o episódio do falso testemunho, que explodiu na tarde desta sexta-feira e que teria sido articulado por Rosely de Souza Pantaleão, secretária-executiva do PSDB em uma cidade de Minas Gerais.
O tucano tentou atribuir a culpa pela violência no país ao governo federal. Segundo ele, a origem dos problemas é o tráfico de droga. ''Vem tudo de fora. Isso é falta de polícia de fronteira'', disse.
O petista também usou da ironia para falar sobre segurança. Em primeiro lugar, ele criticou a repetição de seu adversário. ''Esse é o quarto debate que eu faço, e não muda. Não adianta. É sempre a mesma coisa'', afirmou Lula, que elogiou o trabalho da Polícia Federal.

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