Curitiba - As próximas duas semanas prometem ser agitadas no meio político paranaense. O motivo é o fim do prazo dado pela Justiça Eleitoral para que os interessados em disputar as eleições municipais do ano que vem ingressem no partido pelo qual disputarão o pleito. Até o dia 3 de outubro, os partidos intensificam os esforços para filiar candidatos ''bons de voto'': vereadores, prefeitos, ex-prefeitos e lideranças locais. No afã de conseguir nomes de peso para o pleito do ano que vem, vale tudo. Inclusive assediar parlamentares de outras siglas.
A tradicional dança das cadeiras que ocorre às vésperas do ano eleitoral chegou com força na Assembléia Legislativa. Oito dos 54 deputados estaduais já trocaram de legenda desde sua posse no ano passado, e os rumores na Casa são de que pelo menos mais três podem trocar de partido até o dia 3 de outubro. ''Essas duas semanas vão ser as de maior pressão. Quem não tinha problemas em trocar de sigla, já trocou. Agora, os partidos vão tentar filiações mais difíceis'', acredita o presidente do PMDB estadual, Gustavo Fruet.
O principal objetivo dos políticos ao trocarem de sigla é garantir uma eleição mais tranquila. ''Não existe ideologia por trás das trocas. O parlamentar sai de uma partido socialista para um liberal sem o menor constrangimento. Quem troca de partido antes da eleição para prefeito está basciamente procurando uma sigla com um bom tempo de tevê e rádio, estrutura, e a possibilidade de encontrar uma legenda que não tenha outros candidatos fortes no município em que pretende concorrer'', resume o deputado estadual Nelson Justus (PFL). O PFL foi o partido que sofreu mais baixas na Assembléia com a infidelidade partidária: Rafael Greca e Cleiton Kielse mudaram para o PMDB e Nelson Garcia filiou-se ao PSDB.
E foram justamente PSDB e PMDB que garantiram o maior crescimento de suas bancadas, em parte devido a uma postura mais agressiva de suas lideranças na cooptação de outros deputados. Com as duas filiações, o PMDB tornou-se o partido com mais cadeiras na Assembléia, somando agora 12 deputados e pretendendo chegar a 15 parlamentares, segundo o líder da sigla na Assembléia, Nereu Moura. ''O fato do PMDB ser o partido do governador tem facilitado a adesão de outros parlamentares. Além disso, realizamos uma pesquisa e vimos que a população considera o PMDB como um partido que tem muita tradição'' destacou Gustavo Fruet.
Já o PSDB garantiu três filiações: Valdir Rossoni (ex-PTB), Luís Nishimori (ex-PP) e Nelson Garcia (ex-PFL). O partido ainda tenta atrair Luiz Carlos Martins e Reni Pereira, acenando com a possibilidade dos deputados serem os candidatos a prefeito em Curitiba e Foz do Iguaçu, respectivamente. ''São nomes que segundo nossas pesquisas têm boas chances nas eleições. Mas o principal objetivo do PSDB é reforçar sua bancada na Assembléia, já pensando também nas eleições de 2006 para governador e presidente. O PSDB é a única opção para oposição ao governo federal do PT, e até lá pretendemos chegar a 15 deputados'', justificou Hermas Brandão, presidente da Assembléia e principal articulador das adesões ao PSDB. O partido também ganhou um reforço de peso em Brasília: o senador Alvaro Dias deixou o PDT e voltou ao ninho tucano, de onde havia saído em 2001.

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