Curitiba - Mais duas secretarias da administração estadual resolveram ontem retirar as notícias de suas páginas na internet, com a justificativa de respeitar a legislação eleitoral. Nos sites das pastas de agricultura e da família, a última chefiada por Fernanda Richa, mulher do governador Beto Richa (PSDB), que é candidato à reeleição, constam avisos de que os conteúdos foram desativados "até que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) oficialize o término das eleições".
A medida já tinha sido tomada pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), que esvaziou inclusive os endereços eletrônicos das polícias civil e militar. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu, cada órgão está agindo conforme orientação de seu gestor, não havendo uma recomendação geral sobre o tema. A Agência Estadual de Notícias (AEN), por exemplo, segue funcionando normalmente, ainda que com o cuidado de evitar menções ao governador.
Recentemente, as páginas dos governos de Minas Gerais e de São Paulo suspenderam seus serviços, sob a mesma argumentação. No caso da gestão paulista, a medida foi ainda mais radical, estendendo-se para as redes sociais da CPTM e do metrô, que atualizavam a situação das linhas de transporte em tempo real. A Lei das Eleições proíbe apenas que, nos três meses anteriores ao pleito, isto é, a partir de 5 de julho, os candidatos realizem "publicidade institucional dos atos".
Para a presidente da Comissão de Responsabilidade Social e Política da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, Zuleika Giotto, o excesso de cautela é uma prova de que o administrador não sabe diferenciar o público do privado. "Eles esquecem que a transparência na administração pública é um dever. Estão tão acostumados a usar os sites para promoção pessoal que ficam na dúvida do que pode ou não pode", opinou. Segundo ela, os gestores deveriam publicar todas as informações necessárias para o esclarecimento dos cidadãos, e nunca mensagens publicitárias.

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