Eleição será favorável ao PT em 2004
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2003
Eugênio Melloni<br> Agência Estado 
São Paulo - O PT deverá desfrutar de condições bastante favoráveis para disputar as eleições municipais de 2004, de acordo com análise produzida pela Tendências Consultoria Integrada. O relatório, assinado pelo analista Christopher Garman, aponta que ''dificilmente o partido sofrerá uma grande derrota nos pleitos municipais''. Garman considera que, caso se confirmem as previsões da empresa de consultoria de um crescimento econômico de 4% para o próximo ano, o PT será beneficiado pela melhoria das condições macroeconômicas principalmente nas regiões metropolitanas. Mas, segundo Garman, um cientista político com mestrado pela Universidade da Califórnia, o partido governista tem a seu favor quatro pontos que independem do quadro econômico: a forte organização partidária; condições financeiras favoráveis; o potencial para atrair os eleitores de centro e de direita; e o ''crescimento vegetativo'', fenômeno observado em partidos que ocupam a Presidência da República pela primeira vez.
O trabalho ressalta ainda que o PT ''dá sinais de que vai investir pesadamente nas eleições municipais'' em contraponto à estratégia adotada pelo PSDB no governo Fernando Henrique Cardoso, caracterizada por um distanciamento das eleições municipais, com o objetivo de evitar atritos em sua base de apoio.
Garman lembra que o partido instalou diretórios municipais em 722 cidades entre junho e outubro deste ano, ampliando a sua presença para 96% dos municípios. No mesmo período, o quadro de afiliados do partido cresceu 29,8%, o que representa 125.153 pessoas.
O analista lembra que o PT é um partido que, ao contrário dos demais, cultiva o ''voto de legenda'', o que confere maior controle do partido sobre sua bancada parlamentar. Com essa característica, ainda que prevaleça a influência sobre o voto de questões locais e regionais, como a qualidade dos serviços públicos, o fato é que ''com o PT no governo federal, e com uma estrutura partidária muito mais centralizada, candidatos do partido nos pleitos municipais poderão ter um apoio organizacional sem paralelo'', aponta o relatório.
Para Garman, o PT deverá beneficiar-se também de um ''crescimento vegetativo'' que ocorre quando um partido assume pela primeira vez o Executivo. O PSDB, por exemplo, que assumira 317 prefeituras em 1992, elegeu 921 prefeitos em 1996, após a vitória de Fernando Henrique Cardoso na disputa presidencial em 1994. Garman considera que dificilmente o PT registrará a mesma performance do PSDB. Em 1996, parte do crescimento do PSDB foi inflada por migrações de políticos para o partido. ''Como o PT tende a ser muito mais rigoroso nos critérios utilizados para aceitar políticos de outras legendas, terá de aumentar seu número de prefeituras lançando novas candidaturas, algo politicamente mais difícil'', afirma o analista.


