Eleição 'segura' origem de dinheiro de dossiê
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília - Só deverá ser revelada depois de domingo a origem do R$ 1,7 milhão apreendido no dia 15 com petistas que, supostamente, negociavam a compra do dossiê contra o candidato a governador de São Paulo José Serra (PSDB), da Coligação Compromisso com São Paulo (PSDB-PFL). O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou ontem à Polícia Federal (PF) que, até agora, só conseguiu identificar a origem de R$ 25 mil do total - R$ 1,16 milhão e US$ 248,8 mil.
Segundo o informe do Coaf, sabe-se até agora pouco sobre a origem do dinheiro e apenas sobre a parte em reais: R$ 15 mil foram sacados na agência do Bradesco da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, R$ 5 mil na do BankBoston da Lapa, na zona oeste, e R$ 5 mil numa agência do Safra. Foi possível identificar as agências nesses lotes porque os maços de notas estavam embalados em cintas. ''Estamos de mãos atadas e não nos resta alternativa senão aguardar que o rastreamento prossiga'', disse um policial da área de inteligência financeira da PF.
As informações foram passadas durante uma reunião de quase duas horas entre representantes do Coaf e membros da Divisão de Combate a Crimes Financeiros (Defin) da polícia, comandada pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, o mesmo que comandou o inquérito do ''mensalão''.
O Coaf informou também à PF que, numa primeira varredura, não localizou movimentação financeira atípica em nome de nenhum dos sete petistas investigados por envolvimento com a compra e divulgação do dossiê. O órgão recebe dos bancos os registros de movimentações superiores a R$ 100 mil, o que faz supor que os envolvidos se preocuparam em efetuar saques pequenos a fim de não despertar suspeitas.
A esperança da PF e do Ministério Público (MP) agora é que o engenheiro eletricista Valdebran Padilha, membro do diretório do partido em Cuiabá, resolva colaborar. Um dos presos na operação do dia 15, Padilha será reinterrogado hoje na superintendência da PF na capital mato-grossense pelo delegado Diógenes Curado e o procurador da República Mário Lúcio Avelar. O engenheiro eletricista teria intermediado toda a negociação para compra do dossiê em sucessivos encontros com o empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam e acusado de ser o chefe da máfia dos sanguessugas.
A PF encaminhou ontem à Justiça o pedido de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de vários personagens do escândalo, entre eles, o ex-diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil (BB) Expedito Afonso Veloso, do churrasqueiro Jorge Lorenzetti e do ex-chefe de Gabinete do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas.
Veloso, Lorenzetti e Bargas prestaram na sexta-feira depoimentos aparentemente combinados com os advogados com o propósito de blindar o governo e evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B) à reeleição, seja atingido, segundo Avelar.
A devassa bancária e a telefônica devem cobrir período de pelo menos quatro meses - do fim de maio, quando Vedoin foi capturado por ordem judicial, até a semana passada, quando Padilha e o advogado Gedimar Passos foram presos em São Paulo com R$ 1,7 milhão.
A PF pretende identificar o fluxo de entrada e saída de contas correntes dos petistas sob suspeita. Como eles silenciaram sobre a origem dos dólares e reais com os quais comprariam o dossiê, a PF acredita que pode encontrar alguma pista na movimentação financeira dos antigos aliados de Lula. O rastreamento inclui cartões de crédito e de débito.
Os investigadores também apostam no histórico de chamadas telefônicas dos três. A pesquisa deverá revelar com quem eles fizeram contatos desde o instante em que foram mobilizados para a missão anti-Serra. A PF espera ainda para os próximos dias dados pormenorizados de autoridades americanas sobre a origem dos US$ 248 mil destinados à compra do dossiê.


