Eleição provoca debandada do Executivo
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba- A Casa Civil do Governo do Paraná divulgou ontem os decretos que tratam da exoneração de 12 nomes que ocupam cargos de comando no Executivo. Eles saem para disputar as eleições de outubro próximo, atendendo à regra da desincompatibilização. Entre os que oficialmente agora deixam o cargo, seis meses antes da eleição, estão quatro secretários de Estado: Gilberto Martin, da Saúde; Rasca Rodrigues, do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Nelson Garcia, do Trabalho, Emprego e Promoção Social; e Valter Bianchini, da Agricultura e do Abastecimento.
Lygia Pupatto, que também ocupava uma secretaria de Estado, a da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, foi exonerada antes, no último dia 16. Todos devem disputar as cadeiras de deputado estadual ou federal. A petista também foi um dos nomes cogitados pelo partido para disputar o governo do Estado, caso a tentativa de aliança com o PDT de Osmar Dias termine fracassada.
Embora os decretos tenham sido divulgados ontem, a saída oficial acontece no próximo dia 1º. O secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, explicou ontem que trata-se de uma cautela. ''A lei diz que a desincompatibilização deve ser feita até 3 de abril, e dia 1º de abril é o último dia útil antes de 3 de abril''.
O próprio secretário-chefe cogitou entrar na disputa eleitoral, mas, por motivos pessoais, desistiu. Sua permanência no cargo após a saída do governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), que é pré-candidato a senador ou a presidente da República, ainda não está confirmada. Mas, Orlando Pessuti (PMDB), que assume a gestão, ainda não teria conversado com nenhum possível substituto à Casa Civil.
Iatauro antecipou que o governador Requião assinou ontem sua renúncia. Na segunda-feira, Iatauro levará a renúncia ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Nelson Justus (DEM) - procedimento que permite a posse de Pessuti no cargo máximo do Executivo.
Além dos secretários de Estado, deixam o governo do Estado por conta das eleições o diretor geral da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Herlon de Almeida; o diretor presidente do Tecpar, Aldair Rizzi; o diretor administrativo financeiro do Ipem, Paulo Rosenmann; Inês Aparecida de Paula Dias, da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba; Melo Viana, à frente da Coordenação do Sistema de Controle Interno; Luis Mussi, que ocupa cargo de secretário especial; Vitor Hugo Burko, diretor presidente do IAP; e Antonio Annibelli Neto, chefe do Departamento de Fomento Rodoviário aos Municípios.
Melo Viana não está descartado para concorrer ao governo do Estado pelo PV, mas os demais devem disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado.
Apesar da crise entre o PT e o PMDB, em função dos ataques do governador Requião contra o ministro Paulo Bernardo (PT), a saída de Valter Bianchini (PT) da Agricultura e do Abastecimento tem mais ligação com as eleições do que com a decisão da executiva estadual da sua sigla, que determinou o rompimento com o PMDB e a saída dos petistas que ocupavam postos na gestão Requião.
Caso semelhante aconteceu com o PSDB em meados do ano passado. Irritado com os ataques do governador Requião contra Beto Richa (PSDB), o comando estadual do PSDB pediu a saída dos chamados ''tucanos de bico vermelho'' do Executivo, mas, Nelson Garcia, principal nome do PSDB na gestão Requião, só pediu exoneração agora, em função das eleições.


